O PEREGRINO
A VIAGEM DO CRISTÃO
À CIDADE CELESTIAL
À CIDADE CELESTIAL
CAPÍTULO 13
SEMANA 4 - QUARTA
Ler e orar: "Desvia os meus olhos, para que não vejam a vaidade,
e vivifica-me no teu caminho" (Sl 119:37)
Peregrinos na Feira da Vaidade
Evangelista sai outra vez ao encontro dos peregrinos, e prepara-os para novos trabalhos. Entram na Feira da Vaidade, onde são escarnecidos. Perseguição e morte de Fiel
Apenas os nossos peregrinos saíram deste deserto viu Fiel que vinha atrás dele uma pessoa a quem reconheceu logo, e exclamou, dirigindo-se ao seu companheiro: Olha quem ali vem.
Cristão olhou e disse: E o meu bom amigo Evangelista! Sim, respondeu Fiel, o meu também, pois foi ele quem me encaminhou para a porta.
Nisto acercava-se deles Evangelista, que os saudou dizendo:
Evangelista - Paz seja convosco, diletíssimos, e paz com que vos auxiliam.
Cristão - Bem-vindo, bem-vindo sejas, meu bom Evangelista! A tua presença recorda-me a tua antiga bondade e os teus incansáveis esforços para o meu bem eterno.
Fiel - Sim, mil vezes bem-vinda seja a tua companhia, ó doce Evangelista: quanto estes pobres peregrinos a desejam!
Evangelista - Como tendes passado, meus amigos, depois que pela última vez nos separamos? Que tendes encontrado, e como vos haveis conduzido?
Narram-lhe então tudo o que lhes acontecera pelo caminho, e como e com quantas dificuldades tinham chegado ao sítio onde se encontravam.
— Muito estimo, disse Evangelista, não que tenhais passado por todas essas provas, mas que tenhais delas saído vencedores, e que, apesar das vossas muitas fraquezas, tenhais seguido por este caminho até o presente. E tanto me alegro por vós como por mim. Eu semeei, e vós tendes colhido, e o dia vem em que o que semeia e o que colhe gozarão juntos (João 4:36), isto é, se vos mantiverdes firmes, porque a seu tempo colhereis, se não houverdes desfalecido! (Gálatas 6:9).
Diante de vós a coroa incorruptível; correi de maneira que a alcanceis (I Coríntios 9:24-27). Alguns há que se põem a caminho para alcançar esta coroa, mas depois de já irem muito adiantados, vem outro e arrebata-a. Retende, portanto, o que já tendes, para que ninguém vos tire a vossa coroa. Ainda não estais fora do alcance de Satanás, ainda não tendes resistido até ao sangue, combatendo contra o pecado (Apocalipse 3:2; Hebreus 12:4).
Tende sempre o reino diante dos vossos olhos, e crede firmemente nas coisas invisíveis. Não deixeis invadir o vosso coração pelas coisas do mundo, e velai principalmente pelos vossos corações e suas concupiscências, porque são enganosos sobre todas as coisas, e desesperadamente maus. Tendes a vosso lado todo o poder que há no céu e na terra.
Cristão agradeceu-lhe esta exortação, e pediu-lhe que os ensinasse ainda mais, para os ajudar a vencer o resto do caminho. Tanto mais que sabiam que ele era profeta e podia dizer-lhes algumas coisas que lhes poderiam suceder, e o modo de as vencer, com resistência. Fiel juntou o seu pedido ao de Cristão, e Evangelista tomou novamente a palavra.
Evangelista - Meus filhos, tendes ouvido, na palavra da verdade do Evangelho, que, por muitas tribulações, entramos no reino de Deus, e que em cada cidade nos esperam prisões e perseguições. Deveis, portanto, esperar que no vosso caminho se vos deparem algumas destas coisas. Parte da verdade deste testemunho já vós tendes encontrado, e o restante não se fará esperar, porque, como vedes, estais quase fora deste deserto, em breve chegareis a uma cidade onde sereis acometidos pelos inimigos, que se esforçarão por vos matar.
Tendes por certo que um de vós, ou ambos, terá de selar o seu testemunho com o próprio sangue. Conservai-vos, porém, fiéis até à morte, e o Rei vos dará a coroa da vida. O que ali morrer, ainda que a sua morte seja afrontosa e os seus sofrimentos atrozes, terá melhor sorte do que o seu companheiro, não só porque chegará mais depressa à Cidade Celestial, mas porque se livrará de muitas misérias que o outro ainda encontrará no resto da sua jornada. Quando chegardes à cidade que está próxima, e se cumprir o que vos tenho anunciado, lembrai-vos do vosso bom amigo. Portai-vos com valor, e encomendai a Deus as vossas almas (I Pedro 4:19).
Vi, então, no meu sonho que, apenas saíram do deserto, avistaram uma povoação chamada Vaidade, na qual se faz uma feira, conhecida pelo mesmo nome, que dura todo o ano. E assim chamada porque a cidade em que é celebrada é mais leviana do que a Vaidade, e porque tudo quanto ali se vende, e todos quantos a ela concorrem, são vaidade, pois, como disse o sábio - tudo vaidade (Eclesiastes 12:8; Isaías 13:11). Esta feira é muito antiga. Vou dizer-vos a história do seu princípio:
Há quase cinco mil anos já havia peregrinos que se dirigiam à Cidade Celestial como Cristão e Fiel. Vendo Belzebu, Apolião e Legião, com seus companheiros, que pela direção que os peregrinos levavam, lhes era forçoso passar por esta cidade da Vaidade, combinaram entre si estabelecer aqui esta feira, que duraria todo o ano, e onde se venderia toda a espécie de vaidade.
Por esta razão encontram-se na feira todas as mercadorias: casas, terras, negócios, empregos, honras, títulos, países, reinos, concupiscências, prazeres; e toda espécie de delícias, tais como, prostitutas, esposas, maridos, filhos, amos, criados, vida, sangue, corpos, alma, prata, ouro, pérolas, pedras preciosas e muitas outras coisas.
Também ali se encontram, constantemente, enganos, jogos, diversões, arlequins [palhaços], teatros, divertimentos e tratantes de toda a qualidade. E não é só isso. Também ali há, gratuitamente, roubos, mortes, adultérios, perjúrios, falsos testemunhos de toda a classe de gravidade. Como noutras feiras de menor importância, há nesta várias ruas e travessias, com nomes apropriados, destinadas todas a certas especialidades.
Algumas dessas ruas são designadas pelos nomes de certos países. Assim, a rua de Espanha, de Itália, de França, de Inglaterra, de Alemanha, etc. Do mesmo modo que como em todas as outras feiras, há nesta certos gêneros que têm mais extração [procura]: são os de Roma, a que atualmente vão fazendo oposição a Inglaterra e outras nações, que não apenas gostavam do desenvolvimento que o comércio de Roma ia adquirindo. O caminho que conduz à Cidade Celestial passa mesmo pelo meio desta povoação, e aquele que quiser ir à Cidade Celestial, sem passar por aqui terá de sair do mundo (I Coríntios 5:10).
Até o Príncipe dos príncipes, quando esteve no mundo, teve de passar por esta povoação antes de chegar ao seu próprio país; também esteve na feira que pertencia a belzebu, segundo creio, o qual pessoalmente o convidou a comprar as suas vaidades, e não só isto; ainda chegou a oferecer-lhe tudo gratuitamente, se o Príncipe consentisse em fazer-lhe uma reverência ao passar pela povoação.
Como era pessoa de alta categoria, levou-o belzebu a outras ruas, e mostrou-lhe todos os reinos do mundo, em um instante, tentando induzi-lo a comprar alguma das suas vaidades; mas não pôde consegui-lo, e o Príncipe saiu da cidade sem haver gasto um ceitil [centavo] (Mateus 4:8-10). Esta feira é, pois, muito antiga e de muita importância.
Era forçoso que os peregrinos passassem por este sítio, e assim aconteceu, mas logo que sua presença foi notada, toda a gente da povoação se alvoroçou por sua causa. Eis a razão disso:
1º) Os vestidos dos peregrinos eram muito diferentes dos que se vendiam na feira, e aquela gente cercava-os por todos os lados para os ver. Uns diziam que os peregrinos eram idiotas, outros que eram loucos, e outros que eram estrangeiros (Jó 12:4; I Coríntios 4:9).
2º) E, se muitos se admiravam dos seus vestidos, não menos se espantavam do seu modo de falar, porque poucos havia que pudessem entendê-los. Eles falavam o idioma de Canaã e a gente da feira falava a linguagem do mundo; de modo que uns aos outros se supunham bárbaros ( I Coríntios 2:7-8).
3º) Mas o que mais assombrava os mercadores era que estes peregrinos faziam pouco caso das mercadorias, e nem se davam ao incomodo de olhar para elas. E, se alguém os chamava para comprarem, tapavam os ouvidos, e exclamavam: "Aparta os meus olhos para que não vejam a vaidade" (Salmos 119:37). E olhavam para cima, como para darem a entender que os seus negócios estavam no céu (Filipenses 3:20-21).
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