sábado, 28 de junho de 2025

O Peregrino, semana 3, segunda, capítulo 9

 O PEREGRINO

VIAGEM DO CRISTÃO
À CIDADE CELESTIAL

CAPÍTULO 9

SEMANA 3 - SEGUNDA

Ler e orar: "porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor." (Romanos 6:23)


Cristão chega ao vale da Humilhação (1)

Onde é assaltado pelo feroz Apolião, mas vence-o
com a espada do Espírito e com a fé na palavra de Deus.

RESOLVEU-SE então, a partida do nosso peregrino, com o consentimento dos habitantes do palácio; antes, porém, de partir, levaram-no outra vez ao arsenal, onde o armariam, com armas de finíssima têmpera, para se defender no caminho, caso fosse atacado. Em seguida acompanharam-no até à porta onde ele perguntou ao porteiro se, durante a sua estada no palácio, tinha passado algum viajante. O porteiro responde-lhe afirmativamente.

Cristão - Acaso o conheces?

Porteiro - Não, mas perguntei-lhe o seu nome, e disse-me que se chamava Fiel.

Cristão - Ah! já sei quem é! conheço-o perfeitamente; é meu patrício e vizinho, e vem da minha terra. Irá já muito distante?

Porteiro - Deve ir lá para o fim da encosta.

Cristão - Obrigado, bom homem; que o Senhor seja contigo e te aumente as suas bênçãos pelo bem com que me trataste.

E partiu. Discrição, Piedade, Caridade e Prudência quiseram acompanhá-lo até ao fim do desfiladeiro, e foram todos conversando nos assuntos de que já tinham tratado.

Chegados à encosta, disse:

Cristão - A subida pareceu-me difícil, mas a descida não há de ser menos perigosa.

Prudência - Assim é. Há sempre perigo para o homem que desce ao Vale da Humilhação, aonde te diriges, em escorregar; e perigosos são também os obstáculos que lá se encontram. Por isso viemos acompanhar-te.

Cristão ia descendo com muita cautela, mas não sem tropeçar mais duma vez. Quando chegaram ao fim da ladeira, as personagens que o acompanhavam despediram-se dele, deram-lhe um pão, uma garrafa de vinho e um cacho de uvas.

Assim que entrou no vale, começou Cristão a ver-se em apuros. Apenas dera alguns passos, saiu-lhe ao encontro um abominável demónio, chamado Apolião. Cristão teve medo, e começou a refletir se seria melhor fugir ou conservar-se firme no posto. Mas lembrou-se de que a armadura não lhe protegia as costas e que, portanto, volta-las ao inimigo seria dar-lhe grandes vantagens, porque poderia feri-lo com as suas setas.

Decidiu-se, pois, a ter valor e a manter-se firme, único recurso que lhe restava para manter a vida.

Deu mais alguns passos, e achou-se frente a frente com o inimigo. Era horrível o aspecto do monstro; estava coberto de escamas, semelhantes às dos peixes; tinha asas como de dragão, e patas de urso; do ventre saía-lhe fumo e fogo, e a sua boca era semelhante à boca do leão. Ao aproximar-se de Cristão, lançou-lhe um olhar de desprezo, e falou-lhe nestes termos:

Apolião - Donde vens, e para onde vais?

Cristão - Venho da cidade da Destruição, albergue de todo o mal, e vou para a cidade de Sião.

Apolião - Queres dizer com isso que era meu súdito, porque todo aquele país me pertence, e o domino como príncipe e deus. E te atreveste a revoltar-se contra o domínio do teu rei? Ah! se não fora esperar que ainda me servirás muito, esmagar-te-ia dum só golpe!

Cristão - E certo que nasci nos teus domínios; mas o teu serviço era tão pesado, e a paga tão miserável, que nem me chegava para viver, porque o estipêndio [salário] do pecado é a morte (Romanos 6:23). De modo que, quando cheguei a ter uso da razão, fiz como a gente de juízo - tratei de melhorar a minha sorte.

Apolião - Nenhum príncipe gosta de perder os seus súditos por pouca coisa; e eu de minha parte, não te quero perder. Ora, como te queixas do serviço e da paga, volta de boa vontade para a tua terra, que eu prometo dar-te tudo quanto se pode dar nos meus domínios.

Cristão - Estou agora ao serviço do Rei dos reis, de modo que não posso ir outra vez contigo.

Apolião - Andaste de mal a pior, como diz o rifão; mas ordinariamente, os que tem professado serem servos de tal rei, emancipam-se depressa do seu jugo, e, tomando melhor conselho, voltam outra vez para mim. Faze tu como eles, e tudo te correrá bem.

Cristão - Dei-lhe a minha palavra e jurei-lhe fidelidade; se desistisse agora, não merecia ser enforcado por traidor?

Apolião - Assim te portaste para comigo, e, apesar disso estou disposto a esquecer tudo, se quiseres voltar.

Cristão - As promessas que te fiz foram feitas antes de eu chegar à adolescência, e não tem valor algum. Ademais, espero que o príncipe, sob cujas bandeiras agora sirvo, me absolverá e me perdoará tudo quanto fiz para te agradar. E, sobretudo, quero falar-te francamente: o seu serviço, a sua paga, os seus servos, o seu governo, a sua companhia e o seu país agradam-me muitíssimo mais do que os teus. Perdes o teu campo, se intentas persuadir-me do contrário; sou seu servo, e estou resolvido a segui-lo.


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