sábado, 12 de julho de 2025

O Peregrino, semana 5, segunda, capítulo 14

PEREGRINO

VIAGEM DO CRISTÃO
À CIDADE CELESTIAL

CAPÍTULO 14

SEMANA 5 - SEGUNDA

Ler e orar: "Não fareis deuses de prata ao lado de mim, nem deuses de ouro fareis para vós outros." (Êxodo 20:23)


Cristão encontra em Esperança um excelente companheiro

Inflamados ambos no amor de Deus, resistem aos sofismas de vários indivíduos que encontram no caminho

Vi então no meu sonho que, à pequena distância do caminho e próximo à entrada da mina, estava Demas a chamar constantemente os transeuntes e a convidá-los a admirar aquela maravilha. Vendo Cristão e o seu companheiro, começou a chamá-los, dizendo: Olá! Aproximai- vos, se quereis ver uma coisa surpreendente!

Cristão - Que coisa poderá ter tamanho interesse, que nos obrigue a parar e a desviar-nos do caminho?

Demas - Há aqui uma mina de prata, onde se pode cavar e alcançar um tesouro. Se quereis vir, podereis levar grande riqueza com pequeno trabalho.

Esperança - Vamos vê-la?

Cristão - Não! Já tenho ouvido falar desta mina, e de muita gente que já tem perecido. Além disso, esse tesouro é um laço para os que o procuram, porque os estorva na sua peregrinação.

Cristão gritou então a Demas, dizendo: - Não é verdade que esse lugar é perigoso? Não tem estorvado a muitos na sua peregrinação?" (Oséias 4:16-19)

Demas - Só é perigoso para os descuidados. (E corou [ficou com rosto vermelho] ao dizer estas palavras).

Cristão - Esperança, nem mais um passo devemos dar nesta direção. Continuemos nosso caminho.

Esperança - Quando o Interesse-Próprio chegar aqui, por certo vai ver a mina, se para isso o convidarem.

Cristão - Disso não tenho a menor dúvida, porque esses são os seus princípios, e é quase certo que encontre ali a morte.

Demas - Então, não quereis vir?

Cristão - (Resolutamente). Demas, tu foste inimigo dos caminhos retos do Senhor, e já foste condenado por um dos juízes de Sua Majestade, por te haveres desviado na mesma condenação? Se nos desviamos, no menor ponto que seja, por certo que o nosso Rei e Senhor será sabedor disso, e envergonhar-nos-á onde menos queremos ser envergonhados, que é na Sua presença.

Demas - Eu penso como vós, e se quereis esperar um pouco acompanhar-vos-ei.

Cristão - Como te chamas? Não é teu o nome por que te tratei?

Demas - É, sim. Chamo-me Demas e sou filho de Abraão.

Cristão - Bem te conheço. Teu bisavô era Giesi [Geazi] e teu pai Judas, dos quais seguiste as pisadas. É uma rede infernal o que tu nos queres armar; teu pai enforcou-se por traidor, e tu não mereces outra coisa (II Reis 5:20-27; Mat. 26:1415; 27:3-5). Asseguro-te que, quando chegarmos à presença do Rei, informá-lo-emos da tua conduta. E continuaram seu caminho.

Naquele momento chegou Interesse-Próprio e seus companheiros, que logo se acercaram de Demas, assim que este os chamou. Não posso asseverar se caíram na mina por se haverem aproximado muito da borda, ou se desceram para cavar, ou se afogaram no fundo pelos vapores que ali se costumam desenvolver; o que sei é que não tornaram a aparecer na estrada.

Então, exclamou Cristão: Interesse-Próprio e Demas entendem-se perfeitamente! Um chama e outro responde. Cegou-os a cobiça! Infelizes! Assim sucede aos que só pensam no mundo, julgando que nada há além dele!

Vi depois que, quando os peregrinos chegaram ao outro extremo da planície, encontraram um monumento antigo que lhes causou bastante admiração, pois parecia uma mulher que tivesse sido transformada numa espécie de coluna. Pararam, e, por muito tempo, não encontraram a explicação do que viam.

Esperança descobriu um letreiro na cabeça da estátua, mas por ser pouco versado na leitura, indicou-a a Cristão, que, depois de o examinar, conseguiu ler: - "Lembrai-vos da mulher de Ló."

Concordaram ambos em que essa era a estátua de sal em que fora transformada a mulher de Ló, por ter olhado para trás, cheia de cobiça, quando fugia de Sodoma (Gênesis 19:26). Este espetáculo inesperado deu ocasião a que entre eles se travasse o seguinte diálogo:

Cristão - Ah, querido irmão, muito a propósito vem esta visita, depois do convite que nos fez Demas, para irmos à colina do Lucro. Se tivéssemos ido lá, como ele queria (e também estavas disposto a querer, segundo vi), teríamos sido igualmente o espetáculo para os que vêm atrás de nós.

Esperança - Muito me pesa haver sido tão néscio, e admiro-me de não estar já como a mulher de Ló, porque na verdade, não há diferença entre o pecado dela e o meu. Ela não fez senão olhar para trás, e eu tive desejo de ir ver o tesouro. Bendita seja a graça preventiva! Envergonho-me de ter abrigado semelhante desejo no meu coração.

Cristão - Consideremos bem no que aqui vimos, para nos servir no futuro. Esta mulher livrou-me de um castigo, porque não morreu na destruição de Sodoma; apesar disso, foi alcançada por outro castigo, como estamos vendo: foi mudada em estátua de sal.

Esperança - É verdade. Sirva-nos isto de aviso, para evitar-mos o seu pecado, e de exemplo, para nos lembrarmos da condenação que há de ferir os que não se corrigirem com o aviso. De igual modo Coré, Datã e Abirão e os duzentos e cinquenta homens que com eles pereceram no seu pecado, foram também um exemplo para outros aprenderem (Num. 16:31-32; 26:9-10).

Há porém, uma coisa que especialmente me preocupa. Como podem estar ali tão confiadamente Demas e os seus companheiros, em busca dum tesouro, quando esta mulher, só por ter olhado para trás (pois lemos que se desviasse do caminho um só passo), foi mudada em estátua de sal? E ainda mais: se se considera que a condenação que a feriu, fez dela um exemplo palpável que entra pelos olhos, por que, ainda que não queiram vê-la, não podem deixar de fitá-la sempre que levantem os olhos?

Cristão - E realmente maravilhoso. Isto prova que os seus corações estão já de todo pervertidos, e só podem comparar-se aos que roubam na presença do próprio juiz, ou com os que assassinam à vista da força. Diz-se que os homens de Sodoma eram grandes pecadores, porque o "eram diante do Senhor", isto é, a seus olhos, apesar da bondade que lhes havia prodigalizado [derramado], porque a terra de Sodoma era como o antigo Jardim do Éden (Génesis 13:10-13).

Isto provocou-o muito mais, e fez com que sua praga fosse tão ardente como poderia ser o fogo do céu do Senhor. E é muito razoável concluir que homens como estes, que se empenham em pecar à vista e a despeito dos exemplos que lhes apresentam por escarmento [correção], fazem-se merecedores dos mais severos castigos.

Esperança - Isto é certíssimo; mas quanta misericórdia nos tem sido dispensada, para que nem tu nem eu, especialmente, tenhamos sido feitos um exemplo como este! Devemos dar muitas graças a Deus por viver sempre em temor na sua presença, e nunca esquecer a mulher de Ló.


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