sábado, 12 de julho de 2025

O Peregrino, semana 5, terça, capítulo 15

O PEREGRINO

VIAGEM DO CRISTÃO
À CIDADE CELESTIAL

CAPÍTULO 15

SEMANA 5 - TERÇA

Ler e orar: "Para longe de mim afastaste amigo e companheiro; os meus conhecidos são trevas." (Salmos 88:18)


Cristão e Esperança aprisionados pelo gigante Desespero

Cristão e Esperança, vendo-se rodeados de consolação e de paz, caem em negligência e tomando caminho errado, são aprisionados pelo gigante Desespero


Iam os nossos peregrinos seguindo o seu caminho, quando os vi chegar a um belo rio, a que o rei Davi chamou "rio de Deus" e João "rio da água da vida" (Salmos 65:9; Apocalipse. 22:1; Ezequiel 47:1-9).

Tinham de passar este rio. Grande foi a consolação que sentiram, e maior ainda quando, tendo aplicado seus lábios à água da vida, acharam que ela era agradável e refrigerante para os seus espíritos fatigados.

Nas margens do rio cresciam árvores frondosas, que produziam toda a qualidade de frutos, e cujas folhas serviam para prevenir aquelas doenças que ordinariamente atacam as pessoas que, por terem andado muito, sentem exaltação no sangue. Dum e doutro lado do rio havia formosos prados [campinas] ornados de viçosos lírios, que todo o ano se conservavam verdes.

Chegados a um destes prados, deitaram-se e adormeceram, porque neste lugar podiam descansar com segurança (Salmos 23:2; Isaías 14:30). Quando despertaram, comeram dos frutos das árvores, tornaram a beber da água da vida, e adormeceram outra vez. E assim fizeram por alguns dias que permaneceram neste lugar. O prazer de que estavam possuídos era tanto que exclamavam: _"Bendito seja o Senhor, que preparou estas águas cristalinas para os peregrinos que por aqui passam. E suave a fragrância que exalam estes prados, que com grande delícia nos convidam. Aquele que provar estes frutos ou mesmo folhas destas árvores, da melhor vontade venderá quanto possui para comprar esta terra".

Como ainda não tivessem chegado ao fim da sua viagem, resolveram partir, depois de terem comido e bebido.

Vi então no meu sonho que, logo ali perto, se separavam o caminho e o rio, circunstância que não deixou de contristá-los. Apesar disso, não se atreveram a abandonar a estrada. Esta quanto mais se afastava do rio, tanto mais áspera se tornava, e como os pés dos peregrinos estavam muito sensíveis, em consequência da grande marcha que tinham feito, entrou em suas almas um grande abatimento (Números 21:4).

Não obstante, seguiram seu caminho, posto que desejassem um prado [campina], ao qual davam acesso umas pranchas de madeira; tinha o nome de "Prado do caminho errado". Disse então Cristão ao seu companheiro: Se este prado continuasse paralelo ao caminho, poderíamos ir por ele. E, aproximando-se das pranchas, para melhor examinar, viu um atalho que seguia ao lado da estrada, do outro lado do muro.

Esperança - E se nos perdermos no caminho?

Cristão - Não é provável. Olha, não vês que o atalho segue paralelo à estrada?

Esperança, convencido pelo companheiro, passou com ele para o outro lado, e entraram no atalho, que era muito suave para os pés dos nossos peregrinos. Avistaram um pouco mais adiante um homem que seguia pelo mesmo atalho, e que se chamava Vã-Confiança. Perguntaram-lhe aonde conduzia aquela vereda. À porta celestial, respondeu o homem. "Vês? Não te dizia eu?" perguntou Cristão ao seu companheiro. "Agora podemos estar certos de que vamos bem".

E continuaram a sua marcha, indo o mesmo homem na frente. Eis que a noite os surpreende, e tão escura se tornou que não podiam distinguir o homem que ia adiante. Este, que não podia distinguir o caminho, caiu numa cova profunda, mandada abrir pelo príncipe daqueles lugares, para que nela caíssem os loucos presunçosos, e magoou-se muito na queda (Isaías. 3:16).

Cristão e Esperança, ouvindo-o cair, perguntaram-lhe em altas vozes o que lhe sucedera, mas por única resposta obtiveram um profundo gemido. Então perguntou Esperança: Onde estamos nós? Cristão não se atreveu a responder, temendo haver-se perdido. Ao mesmo tempo começou a chover, e violenta tempestade se desencadeou. Os trovões e os relâmpagos sucediam-se e a água crescia e alagava os peregrinos. Esperança soltou um gemido, dizendo consigo mesmo: Antes tivéssemos ido pela estrada, como eu queria!

Cristão - Quem havia de pensar que este atalho nos havia de fazer errar o caminho!

Esperança - Tive um pressentimento disso, desde o principio, e por isso te fiz aquela branda admoestação, não falando mais claramente por ter muito respeito à tua idade.

Cristão - Não te ofendas, bom irmão. Sinto do íntimo da alma haver concorrido para errares o caminho, expondo-te a tão iminente perigo. Perdoa-me que não fiz com má intenção.

Esperança - Sossega, irmão. Da melhor vontade te perdoo, e crê que este acontecimento a ambos será proveitoso.

Cristão - Quanto estimo ter por companheiro um irmão tão bondoso! Mas, em lugar de estarmos aqui, voltemos para trás, em busca da vereda.

Esperança - Pois sim, querido irmão, mas deixa-me ir adiante.

Cristão - Isso não. Eu é que desejo ir em frente. Se houver algum perigo, seja eu quem sofra primeiro, já que por minha causa nos perdemos ambos.

Esperança - Não devo consentir, porque o teu espírito está turbado, e podemos extraviar-nos ainda mais.

Neste momento ouviram, com a maior consolação, uma voz que dizia:

"Reparai bem na calçada e no caminho por onde viestes; voltai!" (Jer. 31:21). As águas, porém, tinham crescido muito, motivo por que a volta era muito perigosa. (Pensei então quanto mais fácil é sair do caminho quando estamos nele do que alcançá-lo depois de o perder). Arriscaram-se os nossos peregrinos a voltar para trás; mas as trevas eram tão densas, a água estava tão alta, que estiveram perto de se afogarem por algumas vezes.

Por mais diligência que empregassem, não podiam dar com as pranchas de madeira. Então, tendo encontrado um pequeno abrigo, as sentaram-se ali e esperaram o nascer do dia, adormecendo de fadiga e de cansaço.

Próximo ao lugar em que se assentaram, havia um castelo chamado o Castelo da Dúvida, cujo proprietário era o Gigante Desespero, a quem também pertenciam os terrenos onde os nossos peregrinos haviam adormecido.

O gigante, tendo-se erguido cedo, passeava pelos seus campos, quando deparou, surpreendido, com Cristão e Esperança, que ainda dormiam. Com voz áspera e ameaçadora, perguntou-lhes donde eram e o que queriam dali.

- Somos peregrinos, responderam eles, e perdemo-nos no caminho.

- Miseráveis, exclamou o gigante; violastes os meus terrenos esta noite, pisando e calcando a minha sementeira; sois meus prisioneiros. Nada podiam responder a esta intimação, porque o gigante era mais forte, e porque se reconheciam transgressores; assim resolveram obedecer. O gigante empurrou-os adiante de si, e meteu-os numa das prisões do seu castelo, escura, hedionda, e repugnante ao espírito dos pobres peregrinos. Ali jazeram desde quarta-feira de manhã até sábado à noite, sem comer, sem água, sem luz e sem que pessoa alguma viesse informar-se do seu estado. Tristíssima era a situação, longe de amigos e conhecidos (Salmos 88:1-18), e especialmente a de Cristão, porque fora a sua mal aconselhada pressa a causa de tamanho infortúnio.

A esposa do gigante Desespero chamava-se Desconfiança. A ela participou o gigante, quando foram deitar-se, que apanhara os prisioneiros e os lançara no cárcere por haverem violado os seus campos, perguntando-lhes em seguida qual o destino que, segundo a sua opinião, devia dar-se aos presos. Desconfiança, depois de inquirir quem eles eram, donde vinham e para onde iam, aconselhou o marido a açoitá-los sem misericórdia na manhã seguinte.


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