ESTUDO-VIDA DE EZEQUIEL
Mensagem 3
O VENTO, A NUVEM, O FOGO E O ELECTRO
SEMANA 2 - DOMINGO
Leitura Bíblica: Dt 4:24; Ez 1:4; Jo 16:8; 2 Co 4:7; Hb 12:29; Ap 4:3, 22:1
Ler e orar: “E esse que se acha assentado é semelhante, no aspecto, a pedra de jaspe e de sardônio, e, ao redor do trono, há um arco-íris semelhante, no aspecto, a esmeralda.” (Ap 4:3)
Experienciar e Desfrutar Deus como a Nuvem Graciosa
Em Ezequiel 1:4 a nuvem é mencionada em relação ao vento. Juntos, o vento e a nuvem são uma indicação de que uma relação importante está prestes a acontecer entre Deus e o homem.
Pelo menos de vez em quando, em nossa vida cristã é necessário que haja uma relação espiritual significativa entre Deus e nós. Creio que todos aqueles que foram genuinamente salvos experienciaram tal relação.
Nós também experienciamos uma relação espiritual durante os tempos de avivamento. Primeiramente, o Espírito Santo nos toca e nos move, levando-nos a voltar para o Senhor, para vermos a nossa corrupção, nos arrependermos e confessarmos os nossos pecados.
Em seguida, temos a sensação de que Deus é como uma nuvem nos visitando, nos sombreando e nos cobrindo. Podemos perceber também que a graça de Deus está sobre nós, cobrindo-nos como um dossel.
Deus é o vento soprando, e Ele também é a nuvem que cobre e sombreia. Sempre que experienciamos Deus como o vento soprando, também temos a sensação de que, depois que Ele sopra sobre nós, Ele permanece conosco, sombreando e cobrindo-nos como uma nuvem sobre nós. Isto é Deus como a nuvem graciosa. O sopro do vento traz a presença de Deus a nós na forma de uma nuvem celestial, nublando e sombreando.
Quando fui salvo, eu experienciei não só o sopro de um vento poderoso do norte sobre todo o meu ser, mas também a presença do Senhor me sombreando como uma nuvem. Sob esse sombrear comecei a me perguntar: “O que é vida? Devo continuar no caminho que tenho seguido?” Por causa do vento que sopra e da nuvem que sombreia, uma relação importante aconteceu entre mim e Deus. Uma experiência genuína e um verdadeiro avivamento envolvem tanto o vento espiritual quanto a nuvem espiritual.
Não posso esquecer a experiência particular que tive com Deus como uma nuvem me sombreando em 1935. Numa tarde do Dia do Senhor, eu estava ministrando sobre o Espírito. Num determinado momento, tive a sensação de que uma nuvem tinha descido e estava me cobrindo.
Embora não tivesse visto nada com meus olhos físicos, senti que algo estava me cobrindo. Estava envolvido pela nuvem que me cobria, e tive uma profunda sensação da presença do Senhor de uma forma muito clara e prática. Naquela época, a presença do Senhor realmente era como uma nuvem.
Essa experiência foi uma questão não só de fé, mas também de algo que poderia ser detectado. Senti que estava coberto e protegido pela presença do Senhor. Foi maravilhoso, agradável, reconfortante, fortalecedor e energizador. A congregação percebeu que algo tinha acontecido e que a atmosfera tinha mudado, e imediatamente comecei a falar de maneira poderosa.
Muitos de nós já experienciou o Senhor como uma nuvem que sombreia. Quando ora, se arrependendo e confessando seus pecados, você pode sentir que está sob a cobertura de uma nuvem. Pode ter sido sua experiência durante o seu reavivamento matinal ou durante um tempo de ler e orar a Palavra, um vento tempestuoso de Deus veio e soprou sobre você.
Em seguida, após o sopro do vento, uma nuvem veio e ficou com você, talvez por todo o dia. Durante todo o dia você teve a sensação de que algo o estava seguindo, sombreando-o, cobrindo-o e acolhendo-o, e você desfrutou a presença do Senhor ao longo do dia.
Posso testificar que experienciei isso muitas vezes. Quando estava em comunhão com o Senhor no início da manhã, o Espírito vinha a mim como um forte vento do norte, e imediatamente entrava na presença do Senhor, que era como uma nuvem cobrindo-me. Sua presença tornava-se o meu desfrute, e durante todo o dia experienciava a Sua cobertura e apreciava a Sua presença.
Todos nós precisamos experienciar a presença do Senhor como a sombra de uma nuvem. Não devemos nos contentar com meras doutrinas e ensinamentos. Em vez de ir para a Bíblia em busca de mais conhecimento, precisamos buscar o próprio Senhor.
Quando chegamos à Palavra, devemos orar: “Senhor, eu preciso do vento e da nuvem. Senhor, sopra sobre mim como um vento tempestuoso vindo do norte e me cobre com a nuvem. Venha a mim como o vento e fique comigo como a nuvem”.
O FOGO
Ezequiel viu que a nuvem que o cobria estava coberta de fogo faiscando revolvendo-se continuamente. Isso também é uma questão que corresponde à nossa experiência espiritual. Quando o vento tempestuoso vem do Senhor e a presença sombreante do Senhor permanece, temos a sensação de que algo dentro de nós está brilhando, esquadrinhando e queimando. Sob tal brilhar, iluminar, esquadrinhar e queimar, podemos perceber que estamos errados em certas coisas.
Por exemplo, podemos perceber que a nossa atitude para com um irmão em particular é errada. Sob o brilhar e o esquadrinhar da presença do Senhor, somos expostos, e condenamos a nós mesmos e confessamos nossas falhas. Então, o fogo esquadrinhador queimará as coisas negativas dentro de nós.
O fogo visto por Ezequiel significa o poder queimador e santificador de Deus. Tudo o que não corresponde à natureza e disposição santa de Deus deve ser queimado. Somente o que corresponde à Sua santidade pode passar pelo Seu fogo santo. Isso pode ser confirmado pela nossa experiência espiritual.
O Espírito Santo vem para convencer as pessoas do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16:8). Sempre que o Espírito Santo nos toca e nos leva a confessar os nossos pecados e orar, sentiremos a necessidade de sermos santificados e ter toda a corrupção purgada do nosso ser. Perceberemos que qualquer coisa que não coincide com a santidade de Deus deve ser queimada.
Se alguém alega ter sido visitado por Deus, mas não tem nenhum sentimento a respeito dos seus pecados e impurezas, essa pessoa realmente não tem sido tocada pelo Espírito de Deus. Quando Deus visita uma pessoa, o Seu fogo santo virá consumir as coisas negativas nela.
Esse fogo que queima também nos leva a sermos iluminados. Quanto mais o fogo do Espírito Santo queima em nós, mais seremos purificados e iluminados.
Se experienciarmos o Senhor dessa maneira, não haverá necessidade de os outros nos dizerem que estamos errados em determinadas questões ou que a nossa atitude para com um irmão em particular está errada. Se alguém tenta nos corrigir, podemos ficar ofendidos. Contudo, mesmo que recebamos uma palavra de correção e, em seguida, tentarmos nos melhorar, isso não significa nada em relação a vida interior. Precisamos estar sob o brilhar e o esquadrinhar da presença do Senhor.
Quanto mais estivermos sob esse brilhar, mais estaremos dispostos a dizer: “Senhor Jesus, queima-me! Não sou bom para nada, exceto para ser queimado. Ó Senhor, queima a minha disposição. Queima as minhas intenções, a minha autorrealização, meus motivos e objetivos.” Essa é uma experiência genuína da vida interior, não um mero ensinamento.
Depois de ministrar a Palavra ao povo do Senhor por muitos anos, aprendi que o mero ensinamento não realiza coisa alguma. Todos nós precisamos do sopro do vento, a sombra da nuvem da presença do Senhor, do esquadrinhar e do queimar desse fogo.
O nosso Deus é fogo consumidor (Dt 4:24; Hb 12:29). O vento, a nuvem e o fogo são o próprio Senhor. Quando vier, Ele virá como o vento tempestuoso. Quando permanece conosco, Ele permanece como a nuvem. Quando esquadrinha e queima, Ele nos esquadrinha e queima como o fogo consumidor.
Ninguém pode experienciar o Senhor como o vento que sopra, como a nuvem que cobre e, como o queimar do fogo consumidor sem sofrer uma verdadeira mudança e transformação. Todos nós precisamos de transformação pelo fogo. Todos nós precisamos ser transformados mediante o queimar.
O nosso Deus, o Senhor Jesus, não é apenas a água viva, mas também o fogo consumidor. Muitos cristãos apreciam Ezequiel 47 porque esse capítulo fala do rio que flui. Precisamos perceber que o rio que flui não é a primeira coisa em Ezequiel.
Em vez disso, o rio vem após o fogo. O fogo está no capítulo um, e o rio está no capítulo quarenta e sete. O fogo vem sempre em primeiro lugar. A origem do fogo é o vento que sopra com a nuvem que cobre. Daí se vê que o fogo não vem diretamente para nós.
Deus vem a nós como o sopro do vento e permanece conosco como a nuvem que cobre. Sob a Sua cobertura, estamos expostos pelo Seu resplendor. Enquanto estamos sob o Seu brilhar, devemos confessar nossa necessidade do Seu queimar e depois orar para que Ele queime o nosso ego, nossa velha natureza, nossa disposição, nosso mundanismo e nossas atitudes, metas, objetivos, motivos e intenções.
Todos nós precisamos ser queimados pelo Senhor dessa maneira. Tal queimar é melhor do que mil ensinamentos.
O ELECTRO INCANDESCENTE
A intenção de Deus não é simplesmente nos queimar e nos transformar em cinzas. Deus é um Deus bondoso, com um bom propósito. Qual é o Seu propósito em soprar sobre nós como o vento, nos cobrir como a nuvem e nos consumir como o fogo?
A resposta a essa pergunta é que do fogo surge o electro brilhante. O queimar do fogo divino é para a manifestação do electro. A palavra hebraica para "electrum" é muito difícil de traduzir. Em sua nota sobre Ezequiel 1:4 em sua Nova Tradução, John Nelson Darby diz que a palavra hebraica denota “uma substância desconhecida; alguns pensam que é uma mistura de ouro e prata”.
Uma versão judaica usa a palavra electrum. Electrum é uma liga de ouro e prata. Ouro tipifica a natureza de Deus, e prata tipifica redenção. A Versão King James traduz a palavra hebraica como “âmbar”, porque a cor desse metal brilhante é da cor de âmbar, que é um pouco semelhante a cor do ouro. O electrum não é meramente ouro nem meramente prata, mas ouro misturado com prata.
No livro de Apocalipse, podemos ver o mesmo princípio. Apocalipse 22:1 fala do trono de Deus e do Cordeiro. Aquele que está no trono não é somente Deus nem somente o Cordeiro, mas o Deus-Cordeiro, o Deus-Redentor. Em Gênesis 1, Deus era o Deus único, mas em Apocalipse 22, Ele é o nosso Deus redentor, nosso Deus-Cordeiro.
De acordo com Apocalipse 4:3, Deus, Aquele que estava sentado no trono “era semelhante no aspecto, à pedra de jaspe e do sárdio.” Jaspe, que é verde escuro, tipifica Deus como o Deus da glória em Sua vida rica, e sárdio, que é vermelho, tipifica Deus como o Deus da redenção. O fato de a aparência de Deus no trono ser como a uma pedra de jaspe e sárdio, indica que Deus não é mais somente Deus, mas também o nosso Redentor.
Essas ilustrações de Apocalipse 22 e 4 ajuda-nos a compreender o significado do electro em Ezequiel. Nosso Deus não é somente o Ser divino representado pelo ouro; Ele é também o Deus redentor, representado pela prata. Ele já não é somente ouro, Ele é o electro, ouro misturado com prata.
Quando experienciamos o sopro do vento, desfrutamos a cobertura da nuvem e, em seguida, passamos através do queimar, o fogo consumidor. O resultado é o electro brilhante, algo brilhante, adorável, precioso e agradável. Como o electro, o Senhor Jesus é Aquele que nos redimiu e que é tudo para nós.
Ele é o nosso Deus, nosso Cordeiro, nosso Redentor, nosso jaspe e nosso sárdio. Se considerarmos a nossa experiência espiritual, perceberemos que, Aquele que habita em nós, hoje, é o Deus-Cordeiro, Aquele que é representado pelo electro.
Aos olhos de Deus, antes de sermos salvos, éramos vis e malignos, não tendo nada que fosse honroso ou glorioso. Louvado seja o Senhor por Ele ter-nos salvado e regenerado! Seu vento, Sua nuvem e Seu fogo ardente tornaram possível nós O termos, o Deus redentor, dentro de nós como o electro brilhante.
Agora nós O temos como o tesouro no vaso de barro (2 Co 4:7), e, então, nos tornamos um povo de honra e glória. Precisamos considerar quão precioso e honrado é o Cristo que está dentro de nós. Como o electro dentro de nós, Ele é o tesouro de inestimável valor. Esse tesouro é o resultado do vento, da nuvem e do fogo.
Quanto mais passarmos pelo vento, pela nuvem e pelo fogo, mais o electro será constituído em nosso ser, tornando-nos um povo saturado com o Deus Triúno e que manifestam a Sua glória.
Todos nós precisamos experienciar mais do vento espiritual, da nuvem protetora, do fogo consumidor e do electro brilhante. Ao passarmos por esse tipo de experiência, tornamo-nos a visão da glória de Deus. Em nossa experiência, temos o vento, a nuvem, o fogo e o electro. Então, sempre que nos reunimos, somos a visão da glória do electro, tendo um tesouro precioso brilhando e incandescendo.
A EXPERIÊNCIA BÁSICA
O que temos considerado nesta mensagem é a primeira visão vista pelo profeta Ezequiel. Essa visão retrata a experiência mais básica entre todas as experiências espirituais da vida divina. Existem várias categorias de experiência espiritual, contudo, essa experiência é a categoria primária e básica ─ a categoria do vento, da nuvem, do fogo e do electro.
Não experienciamos o vento, a nuvem, o fogo e o electro de uma vez por todas. Pelo contrário, essa experiência é um ciclo que deve ser repetido vez após outra. Hoje podemos experienciar o vento, a nuvem, o fogo e o electro, e depois de um período de tempo o vento vem novamente, seguido pela nuvem, o fogo e o electro.
Esse ciclo deve ser repetido vez após outra ao longo da nossa vida cristã. Disso vemos que, de certo modo, nós, cristãos, não temos descanso em nossa experiência espiritual. Sou cristão há mais de 45 anos, e nunca tive qualquer descanso desse ciclo. Em vez disso, tem havido uma experiência contínua do vento, da nuvem que cobre, do fogo consumidor e do electro brilhante.
Cada vez que esse ciclo é repetido, mais do electro é produzido. Seria terrível se esse ciclo fosse interrompido. Em nossa experiência o ciclo do vento, da nuvem, do fogo e do electro nunca deve parar. Quanto mais experienciarmos esse ciclo, melhor. Seria maravilhoso se experienciássemos diariamente o vento, a nuvem, o fogo e o electro. Essa é a verdadeira experiência da vida interior, e isso trará o crescimento na vida.

Nenhum comentário:
Postar um comentário