quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

Estudo de Atos, capítulo 21, mensagem 56, semana 26, quinta

ESTUDO DIÁRIO DE ATOS
MENSAGEM CINQUENTA E SEIS

A PROPAGAÇÃO NA ÁSIA MENOR E EUROPA POR MEIO
DO MINISTÉRIO DE PAULO E SEUS COMPANHEIROS (22)

SEMANA 26 – QUINTA
Leitura Bíblica: Nm 6:2-5; 13-17; At 18:18; 21:22-24; 1 Co 9:20; Ef 3:2, 7-8
 
Ler e orar: "Agora, me regozijo nos meus sofrimentos por vós; e preencho o que resta das aflições de Cristo, na minha carne, a favor do seu corpo, que é a igreja; da qual me tornei ministro de acordo com a dispensação da parte de Deus, que me foi confiada a vosso favor, para dar pleno cumprimento à palavra de Deus (Cl 1:24-25) 


A Exigência de que Paulo Fosse
Purificado com os que Tinham Voto


Em 21:22-23a Tiago e os presbíteros disseram a Paulo: “Que se há de fazer, pois? Certamente saberão da tua chegada. Faze, portanto, o que te vamos dizer”. Literalmente o vocábulo grego traduzido por "o que" significa "isso que". No versículo 23 Tiago e os presbíteros não propuseram algo a Paulo, antes, eles o exigiram dele, dizendo-lhe que fizesse o que lhe diziam.

Tiago e os presbíteros prosseguiram: “Estão entre nós quatro homens que, voluntariamente, aceitaram voto; toma-os, purifica-te com eles e faze a despesa necessária para que raspem a cabeça; e saberão todos que não é verdade o que se diz a teu respeito; e que, pelo contrário, andas também, tu mesmo, guardando a lei” (v. 23b e 24). O voto mencionado no versículo 23 era o voto de nazireu (Nm 6:2-5). Para Paulo, ser purificado com os nazireus era tornar-se nazireu com eles, unindo-se a eles no cumprimento do seu voto.

A palavra "puramente" é usada na Septuaginta¹ em Números 6:3 ao descrever as obrigações do nazireu. Fazer o voto do nazireado era uma purificação perante Deus. Além de dizer a Paulo que se purificasse com os quatro que tinham voto, disseram-lhe que pagasse as despesas a fim de que eles pudessem raspar a cabeça. Pagar as despesas deles se referia ao custo das ofertas, que um nazireu tinha de pagar para a completação da sua purificação (Nm 6:13-17). Saía bem caro para os nazireus pobres. Era costume entre os judeus, e considerado prova de grande piedade, que um rico pagasse pelos pobres as despesas das ofertas.

Raspar a cabeça devia ser feito na completação do voto do nazireado (Nm 6:18). Esse raspar é diferente do raspar em Atos 18:18, que visava a um voto particular. Já enfatizamos que esse voto em 18:18 era um voto particular feito em qualquer lugar pelos judeus em ação de graças, raspando-se a cabeça. Diferia do voto de nazireado, o qual precisava ser realizado em Jerusalém passando-se a navalha na cabeça. Em Atos 18 Paulo fez um voto particular, e parece que Deus o tolerou, provavelmente porque, sendo particular não precisava ser realizado em Jerusalém, e não teria tido muito efeito nos crentes.

Atos 21:26 diz: “Então, Paulo, tomando aqueles homens, no dia seguinte, tendo-se purificado com eles, entrou no templo, acertando o cumprimento dos dias da purificação, até que se fizesse a oferta em favor de cada um deles”. Aqui vemos que ele participou do voto de nazireado deles. Para fazer isso, ele tinha de entrar no templo e permanecer lá com os nazireus até a completação dos sete dias do voto; então o sacerdote faria as ofertas em favor de cada um deles, inclusive por ele. 

Certamente ele tinha clareza de que tal prática era da dispensação já ultrapassada, que, segundo o princípio do seu ensinamento no ministério do Novo Testamento, deveria ser repudiada na economia neotestamentária de Deus. Contudo, ele passou por isso, provavelmente por causa dos seus antecedentes judaicos, que também haviam-se manifestado anteriormente no voto particular que fizera em 18:18, e provavelmente por estar ele praticando o que disse em 1 Coríntios 9:20. 

Entretanto, a tolerância dele pôs em risco a economia neotestamentária de Deus; isso Deus não toleraria. Como veremos, bem na hora em que o voto dele ia ser concluído, Deus permitiu que se levantasse um tumulto contra ele, e o que pretendiam realizar fracassou (v. 27).


Como Deus Resolveu o Problema
da Mistura em Jerusalém

A mistura das práticas judaicas com a economia neotestamentária de Deus não era apenas errônea em relação à dispensação de Deus, mas também abominável aos Seus olhos. Ele pôs fim a essa mistura grosseira cerca de dez anos depois com a destruição de Jerusalém e do templo, o centro do judaísmo, por meio de Tito e o exército romano. Isso resgatou e absolutamente separou a igreja da devastação do judaísmo.

Deus podia ter tolerado o voto particular de Paulo em 18:18, mas não permitiria que ele, um vaso escolhido não somente para a completação da Sua revelação neotestamentária (Cl 1:25) mas também para levar a cabo a Sua economia neotestamentária (Ef 3:2, 7-8), participasse do voto do nazireado, prática judaica muito séria. Ao ir para Jerusalém, a intenção de Paulo pode ter sido a de clarificar a influência judaica na igreja ali, mas Deus sabia que a situação ali era incurável. Por isso, na Sua soberania, Ele permitiu que Paulo fosse agarrado pelos judeus e aprisionado pelos romanos, para que escrevesse as suas últimas oito Epístolas, que completaram a revelação divina (Cl 1:25) e deram à igreja uma visão mais clara e profunda da economia neotestamentária de Deus (Ef 3:3-4).

Assim, Deus deixou que a igreja em Jerusalém, influenciada pelo judaísmo, permanecesse como estava até que a mistura devastadora teve fim com a destruição de Jerusalém. Era muito mais importante e necessário que Paulo escrevesse as suas oito Epístolas para completar a revelação neotestamentária de Deus do que realizar algumas obras exteriores pela igreja.

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¹ Septuaginta: versão grega do Antigo Testamento. (N.T.)

Desfrute mais: Hino 42, S-5

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