A ADMINISTRAÇÃO DA IGREJA
E O MINISTÉRIO DA PALAVRA
CAPÍTULO OITO:
A EDIFICAÇÃO DA IGREJA REQUER
CONHECIMENTO DE DIFERENTES QUESTÕES
SEMANA 6 - SEGUNDA
Leitura Bíblica: Mt 6:2-4; Lc 21:3; 2 Co 9:7
Ler e orar: "Tu, porém, ao dares a esmola, ignore a tua mão esquerda o que faz a tua mão direita;" (Mt 6:3)
A IMPORTÂNCIA DE CONHECER DIFERENTES QUESTÕES
Neste capítulo iremos considerar as várias questões que precisamos conhecer. Para a edificação da igreja, precisamos conhecer as pessoas e várias questões. Se queremos apenas ser pessoas zelosas que pregam o evangelho a fim de salvar os pecadores e falam a verdade a fim de aperfeiçoar os santos, não há necessidade de adquirir conhecimento com relação a várias questões.
Entretanto, se queremos edificar a igreja, precisamos conhecer as pessoas e várias questões. Precisamos conhecer os que contatamos e os que desejam servir o Senhor. Devemos conhecer suas motivações e saber se sua carne já foi crucificada, e também conhecer seu espírito. Precisamos ainda conhecer a natureza, o resultado, o relacionamento e o impacto causado por essas questões.
Há muitos aspectos das coisas que precisamos conhecer. Por exemplo, um irmão que ama o Senhor pode dizer que Ele o moveu a ofertar vinte mil dólares à igreja. Por um lado, devemos agradecer ao Senhor e nos regozijar por esse irmão estar disposto a ser usado dessa forma pelo Senhor. Por outro, precisamos conscientizar-nos de que essa questão não é simples.
Precisamos ter entendimento com relação à questão de ofertar, ou seja, temos de compreender a motivação, natureza, método e propósito da oferta desse irmão. Também devemos conhecer os possíveis resultados e influência de sua oferta. Se apenas agradecemos ao Senhor e a aceitamos, nossa obra não terá sido para a edificação da igreja, e sim para sua demolição.
Precisamos buscar ser iluminados pelo Senhor mediante oração e consideração para examinar a história e os antecedentes da pessoa que faz a oferta. Temos de levar em consideração sua reputação e posição na sociedade, além da origem do dinheiro que oferta. Devemos considerar também suas intenções diante do Senhor e o espírito de sua oferta.
Quando os presbíteros recebem grande soma de dinheiro como oferta para a igreja, devem dedicar tempo para compreender como esse valor foi obtido. Além disso, precisam considerar seriamente os possíveis efeitos, diretos ou indiretos, de recebê-la. Em outras palavras, os presbíteros necessitam ter conhecimento básico acerca dessa questão especifica.
Vamos supor que outro irmão diga que deseja ofertar cinqüenta mil dólares para ajudar os irmãos em necessidade. Apesar de ser bom, isso não é tão simples. Não devemos simplesmente agradecer ao Senhor por esse irmão, pensando que essa é uma oferta que veio no tempo oportuno para ajudar os santos necessitados. Não devemos pensar que, só por distribuir cinqüenta mil dólares entre os pobres da igreja, ela será edificada. Pelo contrário, precisamos considerar se a oferta não poderia levar a igreja a desmoronar.
Isso pode ser comparado a uma cirurgia que leva a pessoa a perder a vida em vez de curá-la ou a um alimento que leva a pessoa a ficar doente em vez de nutri-la. Para edificar a igreja, não podemos ser simplórios a esse ponto. Precisamos aprender a ter total compreensão da situação que estamos enfrentando. Só assim poderemos determinar o que temos de fazer e como fazê-lo.
Discernir as questões relaciona-se não apenas com a administração da igreja, mas até mesmo com o ministério da palavra. Podemos pregar mensagens que desencorajem em lugar de encorajar se nos falta conhecimento de determinado assunto. Por isso, se queremos aprender a edificar a igreja, precisamos aprender a discernir as situações.
Temos de aprender a conhecer todas as questões direta ou indiretamente relacionadas com a igreja, desde que sejam algo que possamos investigar e contatar. Nossa habilidade de administrar a igreja depende de nossa capacidade de conhecer as pessoas e as questões. Nossa habilidade de pregar a palavra e trabalhar para o Senhor depende de conhecer ou não as pessoas e as questões.
Até mesmo nossa habilidade de visitar e oferecer ajuda às pessoas depende de tais conhecimentos. Alguns irmãos responsáveis agem de maneira imprópria na administração da igreja, porque lhes falta o conhecimento com respeito às várias questões.
Algumas mensagens podem instruir os santos, mas resultar em demolição e não em edificação da igreja. Isso resulta de um conhecimento inadequado no que diz respeito às questões. A falta de conhecimento também pode levar-nos a demolir a igreja enquanto a edificamos.
CUIDAR DOS SANTOS NECESSITADOS
Dois irmãos do ocidente, um dos quais era médico, estiveram conosco por algum tempo, porém sua obra não nos trouxe muitos benefícios. Tinham o desejo de servir com os santos, no entanto sentimos que não obtiveram muito proveito nem trouxeram muito proveito aos irmãos.
A falta de frutos não se relacionava com a instrução, mas com a edificação da igreja. Com respeito à edificação da igreja, sentimos que recebê-los no serviço resultaria em grande perda. Como servos do Senhor, não devemos fazer fofoca ou ser descuidados nas conversas sobre esse assunto. O fato, no entanto, é que o contato com esses dois irmãos deu origem a muitos problemas em vez edificar a igreja.
Segundo nosso discernimento, problemas poderiam surgir porque não conhecíamos totalmente que tipo de pessoa eles eram. Não estávamos certos também quanto ao que seriam capazes de fazer ou qual seria o resultado de sua obra. As pessoas que entraram em contato com eles estavam confusas e incertas.
Eles ajudaram muitos santos com seus conhecimentos médicos, sem nada cobrar e até pagaram despesas hospitalares para alguns. Entretanto toda a obra que realizaram resultou em demolição da igreja, e não em edificação.
Certo dia minha esposa e eu fomos visitar o irmão que era médico. No caminho vimos uma irmã cuja criança contraíra tuberculose e já fora operada por ele duas vezes. Ela sentia que fora pela misericórdia de Deus que o irmão cobrara dela apenas a metade das taxas na primeira cirurgia e realizara a segunda sem cobrar nada.
Por um lado, ele era gentil e cuidava dos pobres. Por outro, aqueles de quem ele cuidava ficavam agradecidos a ele, mas não obtinham mais de Cristo. Portanto não era para a edificação da igreja. Além do mais, aqueles a quem ele ajudava não se sentiam dignos; pelo contrário, sentiam-se inferiores a ele e aos irmãos responsáveis.
Por essa razão, o que esse irmão fazia em amor na realidade trazia demolição para a igreja, e não edificação. Caso tivesse encargo de ajudar os santos materialmente, poderia aceitar os honorários médicos e ser
conduzido pelo Senhor a colocar um valor na caixa de ofertas. Desse modo os irmãos receberiam ajuda diretamente das mãos de Deus; não se sentiriam aviltados diante dos homens nem pensariam que a ajuda vinha de homens ou da igreja. Sentiriam apenas que Deus os visitara. Isso os edificaria com um caráter nobre.
Se nossa ajuda leva os irmãos a se sentir inferiores ou em débito conosco, demolimos a igreja em lugar de edificá-la. Nossa ajuda não deve levar os outros a se sentir gratos a nós. Em outras palavras, não devem sentir-se inferiores a nós. Não devem sentir-se como nossos beneficiários.
Se causamos esses sentimentos nas pessoas, somos uma instituição de caridade e não a igreja. Os santos não devem simplesmente sentir-se agradecidos a nós, à igreja ou aos presbíteros. Precisamos conduzi-los a Cristo. Somente esse resultado produz a edificação da igreja.
Se mantivermos a atitude de dar esmolas, demonstrar caridade ou prestar assistência aos santos necessitados, vamos corromper a igreja do Senhor. Embora a irmã cujo filho contraíra tuberculose estivesse muito grata ao Senhor e O louvasse por isso, todo o seu ser estava corrompido. Em seu aviltamento, ela se tornou dependente dos outros e até mesmo subserviente a eles. Os que recebem contínua ajuda de terceiros não podem ser edificados no caráter e a igreja, por sua vez, também não pode ser edificada.
Nesse aspecto os dois irmãos ocidentais necessitavam de fato de nossa comunhão. Contudo não fomos capazes de ajudá-los. Isso prova que não tivemos discernimento no que diz respeito a essas questões. Além disso, devido a essa falta, nossa obra aqui não pode edificar a igreja. Quando cuidamos dos irmãos necessitados, precisamos considerar se nosso cuidado é para a edificação ou para a demolição deles. Isso depende de nossa habilidade em discernir as questões.
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