A ADMINISTRAÇÃO DA IGREJA
E O MINISTÉRIO DA PALAVRA
E O MINISTÉRIO DA PALAVRA
CAPÍTULO DEZ: A ESCOLHA DO MATERIAL
PARA O MINISTÉRIO DA PALAVRA
SEMANA 7 - QUINTA
Leitura Bíblica: Lc 24:45; At 17:11; 1 Co 2:13
Ler e orar: "Esforça-te por apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade." (2 Tm 2:15)
EVITAR A EXPOSIÇÃO DAS ESCRITURAS
Quando procuramos material, devemos evitar a exposição das Escrituras. A Bíblia não é um livro simples. Se falarmos de acordo com ela, não teremos muitos problemas, mas, se a expusermos, teremos muitos problemas, porque falar de acordo com a Bíblia é diferente de expô-la.
Podemos pregar uma mensagem com base em alguns poucos versículos. Por exemplo, ao citar Hebreus 2:3: "Como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação?", a fim de estimular o apreço das pessoas por sua salvação, falamos de acordo com a Bíblia ou a partir dela. No entanto, quando tentamos explicar o significado das palavras "salvação" e "negligenciar", fazemos uma exposição bíblica.
Quem fala do púlpito deve evitar expor as Escrituras. Pode falar de acordo com a Bíblia, porém não deve expô-la. Exposição bíblica é um assunto sério. Por isso devemos evitar material que expõe as Escrituras, uma vez que esse material não contém muita vida e está sujeito a erros. A rigor, somente os que possuem o dom de ensino devem fazer exposição das Escrituras, e nem todos o possuem. As palavras na Bíblia podem ser usadas para transmitir uma mensagem, mas a exposição bíblica pode causar problemas. Por esse motivo, é melhor evitar livros com exposição bíblica.
A maioria dos livros que traz exposição bíblica transmite conhecimento, porém não fornece muita vida. Além disso, existem muitas formas de expor a Bíblia. O mesmo trecho da Palavra com frequência possui várias interpretações. Quando era jovem, li um bom livro relativo às setenta semanas de Daniel. Depois que terminei a leitura, comecei a falar o que aprendi a outros. Mais tarde me dei conta de que estava sendo tolo, e acabei rindo de mim mesmo porque há muitas interpretações acerca das setenta semanas e cada uma com sua lógica. Fazer exposição bíblica é assunto muito sério. Devemos evitar ao máximo expor a Bíblia.
Através dos séculos, a maioria dos sermões foi baseada em versículos da Bíblia. Por exemplo, o dr. John Sung usou o "fluxo de sangue" de Lucas 8:43 para pregar sobre o sangue precioso do Senhor, sem fazer uma exposição do versículo. Devemos evitar fazer exposição bíblica, a não ser que precisemos fundamentar uma base bíblica.
A exposição bíblica deve servir para preencher a necessidade específica de estabelecer base bíblica. Devemos expor a Bíblia nos limites dessa base concreta. Devemos permanecer nesses limites, caso contrário nossa mensagem será morta. Temos de nos ater a esse princípio básico de que a mensagem precisa ser viva. Se queremos que nossa mensagem seja viva, não podemos falar apenas doutrinas vazias, não podemos simplesmente expor a Bíblia.
Devemos usar da exposição bíblica apenas quando precisamos de base bíblica para transmitir determinado conceito às pessoas. Uma vez que tal necessidade seja preenchida, já não há necessidade de tantas explicações. Além do mais, citar os outros pode causar confusão entre os santos, por causa dos diferentes pontos de vista das exposições.
A primeira vez que li a Bíblia, passei muito tempo lendo livros de consulta com respeito às profecias na Bíblia. Em Mateus 24:41 o Senhor Jesus disse que "Duas estarão moendo no moinho: uma será tomada, e deixada a outra". Um competente expositor dentre os Irmãos Unidos disse certa ocasião que a mulher que seria deixada era a melhor e a seguir forneceu muitas razões para apoiar sua declaração. Como a melhor poderia ser deixada? Cremos que a que será tomada é a melhor. Portanto, se não tivermos discernimento, seremos mal conduzidos.
Existem muitos livros publicados no cristianismo de forma que os ministros da palavra se sentem muitas vezes tentados a utilizá-los. Apesar da necessidade de consultar vários livros, alguns deles não têm conteúdo preciso. Por exemplo, Andrew Murray de fato conhecia o Senhor no íntimo, porém suas exposições nem sempre eram acuradas. Podemos confiar em suas experiências espirituais, mas nem sempre podemos confiar nele no que diz respeito às exposições bíblicas.
Quando o irmão T. Austin-Sparks esteve em Taiwan, afirmou que a Nova Jerusalém não existe. Ele ultrapassou sua porção e fez exposição bíblica. Não podemos aceitar essa exposição. Mesmo tendo em alta consideração o conteúdo espiritual que ele nos ministrou, não podemos concordar com essa exposição. Se a Nova Jerusalém não existe, onde estarão os crentes?
É por esse motivo que temos tanto cuidado com relação à exposição bíblica. Em termos gerais, não é difícil escolher material para o ministério da palavra. No entanto, caso não estejamos totalmente seguros quanto a determinado material de exposição bíblica, não devemos aceitá-lo. Também não devemos tentar expor as Escrituras a não ser que seja totalmente necessário.
Através dos séculos, várias pessoas espirituais fizeram exposição bíblica, contudo foi difícil para eles não cometer erros. Andrew Murray, o irmão Austin-Sparks e até mesmo a sra. Jessie Penn Lewis cometeram graves erros em sua exposição. Os que participaram da vida interior tiveram boas experiências espirituais, todavia estavam distantes no que dizia respeito à exposição das Escrituras.
A irmã Dora Yu era muito espiritual, mas também foi imprecisa na exposição bíblica. Ela disse que ser salvo não equivale a ser regenerado e os já salvos ainda precisavam arrepender-se a fim de ser regenerados. Por esses motivos, precisamos evitar fazer exposição bíblica na escolha do material. É melhor não escolher material relativo à exposição bíblica se não há necessidade definida nem estejamos certos quanto a sua precisão.
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