A ADMINISTRAÇÃO DA IGREJA
E O MINISTÉRIO DA PALAVRA
E O MINISTÉRIO DA PALAVRA
CAPÍTULO DEZ: A ESCOLHA DO MATERIAL
PARA O MINISTÉRIO DA PALAVRA
SEMANA 7 - SEXTA
Leitura Bíblica: Jo 5:39-40; 6:63; Ef 6:2
Ler e orar: "Jesus, porém, disse: Deixai os pequeninos, não os embaraceis de vir a mim, porque dos tais é o reino dos céus." (Mt 19:14)
NÃO CONVERTER AS MENSAGENS
EM MATERIAL DE ENSINO
Essas bases e princípios para a escolha do material têm por objetivo suprir as pessoas de vida, solucionar seus problemas e gerar um sentimento de necessidade em seu íntimo. É assim que o material deve ser escolhido para a reunião dos jovens.
Embora nossas mensagens sejam educativas, devemos evitar fazer delas um curso de ensino. Por exemplo, a assim chamada escola dominical se tornou um curso com cinquenta e dois temas de estudo. Uma criança pode participar de todas essas aulas sem adquirir muita coisa em seu interior com relação à espiritualidade, ao conteúdo do evangelho e à experiência de vida.
Por exemplo, frequentei uma escola de ensino fundamental cristã e fui um dos melhores alunos na escola dominical. Até servi como assistente de professor na escola dominical. Contudo não tive nenhum proveito com a escola dominical. É por esse motivo que digo que devemos abandonar a palavra "escola" das reuniões das crianças. Não queremos uma escola dominical. Queremos apenas reuniões de crianças.
Não devemos transmitir-lhes o conceito de que a reunião é um curso de estudo e elas devem, portanto, recitar e memorizar. Elas devem sentir que são tocadas e supridas interiormente quando participam das reuniões. Por isso, nossas reuniões das crianças devem concentrar-se em fazer das crianças jovens piedosos que vivem na presença do Senhor. Se saírem impressionadas com questões acerca do viver humano, do temor a Deus ou da salvação, isso lhes será de grande ajuda.
Numa reunião de crianças em Manila, nas Filipinas, os que serviam queriam contar-lhes a história de Sansão e Dalila, porque diversos cinemas na cidade exibiam um filme sobre o romance entre Sansão e
Dalila. Esse é um erro básico na escolha de material. Esse é um método errado de escolher.
Não devemos falar aleatoriamente às crianças sobre Samuel hoje, Davi amanhã, Saul depois de amanhã e a seguir sobre Pedro, fornecendo-lhes esboços para memorizar e em seguida testando-os sobre a matéria dada. Isso é fútil e está errado. Precisamos tocar seus sentimentos.
Por exemplo, as reuniões de crianças conduzidas por D. L. Moody se pareciam com uma escola dominical, porém não eram. Ele se sentia responsável pela alma das pessoas. Certa vez convidou uma menina para participar de sua escola. A garota prometeu ir, porém não o fez. Vários dias depois, ele a viu na rua. Assim que ela o viu, entrou numa taverna e se escondeu debaixo de uma cama. Moody correu atrás dela e a puxou de debaixo da cama. Depois disso, a menininha foi à sua escola dominical. Se nos sentirmos responsáveis como Moody, seremos bem-sucedidos. Precisamos atentar para esse assunto. As demais coisas são secundárias.
Não devemos simplesmente dar aulas como os professores do ensino fundamental, que dividem as crianças por faixas etárias e dirigem suas classes. Não devemos dar aula às crianças e então começar a próxima perguntando: "Qual foi a lição da semana passada? Certo, foi sobre Davi. Quem é Davi?". As crianças então respondem: "Davi foi uma pessoa segundo o coração de Deus". "Davi reinou durante quarenta anos". A seguir dizemos: "Muito bem, vocês acertaram". Se nossas reuniões das crianças são assim, fazemos uma obra de morte, que deve ser interrompida. As reuniões de crianças em Taipé ainda têm esse aroma.
O material que usamos deve ser vivo. Podemos falar às crianças a respeito de amar os irmãos, do amor de Deus e de como Deus criou os homens com coração amoroso. Não precisamos falar sobre amor espiritual. Precisamos sim fazê-los perceber que o amor que está neles vem de Deus e eles, portanto, devem amar seus irmãos. Eles então se sentirão culpados caso não os amem. Na reunião seguinte podemos falar sobre honrar pai e mãe, pedindo-lhes que obedeçam a seus pais. Essa fala é viva. Isso não quer dizer que não devemos usar histórias bíblicas. Podemos usar uma história na Bíblia para ilustrar o amor aos irmãos. Isso não é um curso de estudo, mas uma aplicação viva.
Isso também deve ser aplicado à obra com os jovens. Os que servem os jovens precisam compreender que não devemos depender das reuniões de instrução. Se dependermos delas, fracassaremos. De 1946 a 1948 não havia reuniões de jovens em Xangai. Nem mesmo tínhamos esse título. Naquela época o cuidado com os jovens advinha de um encargo. Os santos os pastoreavam individualmente. É pena que nossas conferências universitárias sejam dirigidas como aulas ensinando sobre certo assunto. Todos os que falam em nome do Senhor precisam aprender que nossa fala deve instruir sem que pareça uma aula. Não estamos ministrando aulas. Isso é morto e não vivifica as pessoas.
Os que falam devem receber um encargo a fim de laborar nos jovens, um a um. Por meio da oração e outros recursos devemos pastoreá-los para que o Senhor os ganhe. Não devemos ensinar-lhes sempre o que Adão, Abel, Enoque e Abraão fizeram. Eles podem memorizar tudo isso numa semana e na seguinte esquecer tudo. Ensinar-lhes desse modo será fútil. Devemos entrar em contato com seus sentimentos de forma que nunca esquecerão.
Exercício intelectual e sabatina oral não passam de letra morta. Não há necessidade de dar tanta atenção a essas coisas. Além disso não devemos preocupar-nos com quantos participam. Em vez disso, devemos empenhar-nos em aprender lições, ter experiências vivas e receber encargos vivos para laborar nos jovens. Devemos fazer uma obra de acender neles o fogo que os leve a acendê-lo nos outros. Somente esse tipo de obra será vivo.
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