DO CRISTÃO À CIDADE CELESTIAL
CAPÍTULO 1
Leitura Bíblica: Jó 16:21-22; 33:23; Sl 38:4; 119:105; Is 30:33; 64:6; Ez 22:14; Hc 1:2-3; 2:2; Mt 3:7; 7:13-14; Lc 14:33;
como o fulgor do firmamento; e os que a muitos conduzirem à justiça, como as estrelas, sempre e eternamente." (Daniel 12:3)
Começa o sonho do autor -
Cristão, convencido do pecado, foge à ira vindoura
e Evangelista o dirige a Cristo
CAMINHANDO pelo deserto deste mundo, parei num sítio onde havia uma caverna¹; ali deitei-me para descansar. Em breve adormeci e tive um sonho.
Vi um homem coberto de andrajos², de pé, e com as costas voltadas para a sua habitação, tendo sobre os ombros uma pesada carga e nas mãos um livro (Isaías 64:6; Lucas 14:33; Salmo 38:4; Habacuque 2:2). Olhei para ele com atenção e vi que abria o livro e o lia; e, à proporção que o ia lendo, chorava e estremecia, até que não podendo conter-se por mais tempo, soltou um doloroso gemido, e exclamou: "Que hei de fazer?" (Atos 2:37 e 16:30; Habacuque 1:2-3).
Neste estado voltou para a sua casa, diligenciando reprimir-se o mais possível, a fim de que sua mulher e seus filhos não percebessem sua aflição. Como, porém, o seu mal recrudescesse, não pode por mais tempo dissimulá-lo, e abrindo-se com os seus, disse por esta forma:
"Querida esposa, filhos do coração, não posso resistir por mais tempo ao peso deste fardo que me esmaga. Sei com certeza que a cidade em que habitamos vai ser consumida pelo fogo do céu, e que todos pereceremos em tão horrível catástrofe se não encontrarmos meio de escapar. O meu temor aumenta com a ideia de que não encontre esse meio".
Ao ouvir estas palavras, grande foi o susto que se apoderou daquela família, não porque julgasse que o vaticínio viesse a realizar-se, mas por se persuadir de que o seu chefe não tinha em pleno vigor as suas faculdades mentais.
E, como a noite se avizinhava, fizeram todos com que ele fosse para a cama, na esperança de que o sono e o repouso lhe sossegariam o cérebro. As pálpebras, entretanto, não se lhe cerraram durante toda a noite, que passou em lágrimas e suspiros.
Pela manhã, quando lhe perguntaram se estava melhor, respondeu negativamente, e que a moléstia cada vez mais o afligia. Continuou a lastimar-se, e a família, em lugar de se compadecer de tanto sofrimento, tratava-o com aspereza.
Esperava, sem dúvida, alcançar por este modo o que a doçura não pudera conseguir até ali: algumas vezes zombava dele: outras repreendia-o; e quase sempre o desprezava. Só lhe restava o recurso de se fechar no seu quarto para orar e chorar a sua desgraça, ou o de sair para o campo, procurando na oração e na leitura lenitivo³ a tão indescritível dor.
Certo dia, em que ele andava passeando pelos campos, notei que se achava muito abatido de espírito, lendo, como de costume, e ouvindo-o exclamar novamente: "Que hei de fazer para ser salvo?"
O seu olhar desvairado volvia-se para um e outro lado, como em busca de um caminho para fugir; mas, não o encontrando de pronto, permanecia imóvel, sem saber para onde se dirigir.
Vi, então, aproximar-se dele um homem chamado Evangelista (Atos 16:30-31; Jó 33:23) que lhe dirigiu a palavra, travando-se entre ambos o seguinte diálogo:
Evangelista - Por que choras?
Cristão - (Assim se chamava ele). - Porque este livro me diz que eu estou condenado à morte, e que depois hei de ser julgado (Hebreus 9:27), e eu não quero morrer (Jó 16:21-22), nem estou preparado para comparecer em juízo! (Ezequiel 22:14).
Evangelista - E por que não queres morrer, se a tua vida é cheia de tantos males?
Cristão - Porque temo que este pesado fardo que tenho sobre os ombros, me faça enterrar ainda mais do que o sepulcro, e assim eu venha a cair em Tofete (Isaías 30:33). E, se não estou disposto a ir para esse tremendo cárcere, muito menos para comparecer em juízo ou para esse suplício. Eis a razão do meu pranto.
Evangelista - Então, por que esperas, agora que chegaste a esse estado?
Cristão - Nem sei para onde me dirigir.
Evangelista - Toma e lê. (E apresentou-lhe um pergaminho no qual estavam escritas estas palavras: "Fugi da ira vindoura"). (Mateus 3:7).
Cristão - (Depois de ter lido). E para onde hei de fugir? Evangelista - (Indicando-lhe um campo muito vasto). Vês aquela porta estreita? (Mateus 7:13-14).
Cristão - Não vejo.
Evangelista - Não avistas além brilhar uma luz? (Salmo 119:105; II Pedro 1:19).
Cristão - Parece-me avistá-la.
Evangelista - Pois não a percas de vista; vai direito a ela, e encontrarás uma porta; bate, e lá te dirão o que hás de fazer.
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³ Alívio ou consolo da dor.
Desfrute mais:
Hino "Oração - Contando ao Senhor"
https://hinario.org/detail.php?id=866
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