quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Estudo-Vida de Ezequiel, semana 1, sábado, mensagem 3

ESTUDO-VIDA DE EZEQUIEL

Mensagem 3
O VENTO, A NUVEM, O FOGO E O ELECTRO

SEMANA 1 - SÁBADO
Leitura Bíblica: Êx 19:9, 16; Sl 75:6-7a; Pv 16:15; Ez 1:4; Dn 7:2; At 2:2, 4a; 1 Co 10:1-2; Ap 7:1

Ler e orar: Porque não é do Oriente, não é do Ocidente,
  nem do deserto que vem o auxílio. Deus é o juiz; a um abate, a outro exalta.(Sl 75:6,7)


O VENTO TEMPESTUOSO

Vindo do Norte

A primeira parte do Ezequiel 1:4 diz: “Olhei, e eis que um vento tempestuoso vinha do Norte.” A nova tradução de John Nelson Darby e a American Standard Version ambas traduzem a palavra hebraica redemoinho de vento como “vento tempestuoso”, e eu sinto que essa tradução é preferível. Portanto, esse versículo está dizendo que um vento tempestuoso veio do norte.

Por que o vento tempestuoso veio do norte e não do sul, leste ou oeste? A resposta a essa pergunta é encontrada no Salmo 75:6-7a: “Porque não é do Oriente, não é do Ocidente, nem do deserto que vem o auxílio. Deus é o juiz.” Aqui, norte é substituído por Deus. Isso indica que Deus está no norte¹.

Em termos geográficos, o norte é comumente considerado como estando acima, e, por conseguinte, ir para o norte é subir. Deus, que está no norte, está sempre acima. Espiritualmente falando, isso significa que quando estamos indo para o norte, estamos indo para Deus.

O fato de o vento tempestuoso vir do norte significa que ele veio de Deus. O lugar da habitação, a morada de Deus é a fonte de todas as coisas espirituais. O vento tempestuoso vinha do norte, da habitação de Deus. Deus, portanto, era a fonte do vento tempestuoso.


Tipifica o Espírito de Deus

A palavra hebraica para vento é ruach. Ruach pode ser traduzido como “vento” ou “sopro” ou “espírito”. Em Ezequiel 37, na Versão King James, essa palavra hebraica é traduzida de todas essas três formas: “vento” no versículo 9, “sopro” nos versículos 5, 6, 8, 9 e 10, e “Espírito” nos versículos 1 e 14.

É difícil para os tradutores decidir se num determinado versículo ruach significa vento, sopro ou espírito. A decisão deve ser tomada de acordo com o contexto. Em 1:4 ruach denota um vento, um vento tempestuoso que significa nada menos do que o Espírito poderoso.

No dia de Pentecostes havia um vento impetuoso e poderoso, que encheu a casa onde os cento e vinte estavam sentados. Em seguida, todos foram cheios do Espírito Santo (At 2:2, 4a). Sem dúvida, esse vento impetuoso e poderoso era o Espírito poderoso.

Em João 3:8 o Senhor Jesus disse: “O vento sopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito”. Algumas versões mostram numa nota de rodapé que a palavra vento nesse versículo é uma tradução da palavra grega para espírito, pneuma.

A palavra hebraica ruach e a palavra grega pneuma tem exatamente o mesmo significado. Como ruach, a palavra pneuma pode ser traduzida como “vento”, “sopro” ou “espírito”. Assim, nesse versículo, as palavras gregas traduzidas o vento sopra também podem ser traduzidas
como “o Espírito sopra.” Em Ezequiel 1:4, o vento tempestuoso, forte, é uma figura, um retrato, do poderoso Espírito de Deus.

Na Bíblia, o vento tem tanto um significado negativo quanto positivo. Em seu significado negativo, o vento é um símbolo, ou sinal, do julgamento de Deus sobre o homem. Esse é o significado do vento em Daniel 7:2 e em Apocalipse 7:1. No seu significado positivo, o vento é um símbolo, ou sinal, do sopro do Espírito Santo sobre o homem ou a descida do Espírito Santo sobre o homem para cuidar do homem.

Isso, naturalmente, é o significado do vento impetuoso e poderoso em Atos 2. No livro de Ezequiel, o vento também tem esse duplo significado: o significado negativo ─ o julgamento de Deus ao levantar circunstâncias através das quais Ele julga aqueles que se rebelam contra Ele; o significado positivo ─ na vinda do Espírito ao homem para levá-lo a ter a vida de Deus. O vento tempestuoso em Ezequiel 1 tem esse significado positivo.


Nossas Experiências Espirituais Sempre
Começam com uma Tempestade Espiritual

Nossas experiências espirituais sempre começam com uma tempestade espiritual. De acordo com a história da igreja, ao longo de todas as gerações, o Espírito de Deus tem soprado como um vento poderoso para mover as pessoas a se arrependerem de seus pecados, a crer no Senhor Jesus para sua regeneração, abandonar o mundo, a fim de seguir o Senhor, e estar desesperadas no coração e queimando no espírito para servir ao Senhor.

Você não teve esse tipo de experiência? Você não sentia o vento de Deus soprando sobre você? Você não foi tocado pelo Espírito de Deus? Você não sentiu, pelo menos uma vez em sua vida, que um certo poder ─ o vento tempestuoso de Deus ─ se movia sobre você, fazendo-o odiar o pecado, ter uma atitude diferente em relação ao mundo, ou mudar sua visão a respeito de sua vida? Se você nunca teve essas experiências, você precisa buscar o Senhor e orar pelo Seu vento do norte para soprar sobre você.

Um certo jovem promissor, que era um forte membro de um partido político, experienciou esse vento do norte, no momento de sua conversão. Num determinado dia, ele entrou num templo de ídolo e viu uma Bíblia sobre a mesa a qual era usada para a oferta. Ele caminhou até a Bíblia e leu alguns versículos.

De repente, o Espírito Santo soprou sobre ele, e foi convencido de seus pecados. Enquanto o vento do Espírito continuava a soprar sobre ele, ele começou a se arrepender de seus pecados e fazer uma confissão completa, chorando amargamente enquanto se prostrava e até mesmo rolava no chão. Ele foi salvo através do sopro de um poderoso vento do norte.

A visitação de Deus sempre começa com o sopro do vento de Deus sobre o nosso ser. Será que você não experienciou uma tempestade, o sopro do Espírito de Deus, quando foi salvo? Talvez você fosse um jovem estudante sem nada com que se preocupar, mas simplesmente ir para a escola, estudar e brincar.

Então, um dia, uma tempestade veio até você. Um vento tempestuoso soprava sobre você e te virou de cabeça para baixo. Isso o levou a considerar o significado da vida humana, e você começou a se perguntar sobre de onde veio e para onde estava indo. Esse foi o resultado do sopro de um vento tempestuoso. Creio que cada pessoa salva experienciou uma tempestade no momento da conversão.

Não posso esquecer a tempestade que experienciei no dia em que fui salvo. Como um jovem com menos de vinte anos, eu era cheio de ambição, e estava estudando duro, buscando o conhecimento do mundo, a fim de ter um bom futuro.

Mas um dia eu ouvi sobre uma reunião evangelística, e decidi participar. Nesse encontro, ao ouvir uma mensagem forte do evangelho, um vento tempestuoso soprou sobre mim e me virou de cabeça para baixo.

Uma tempestade vem a nós do Senhor, não somente no momento da nossa conversão, mas também depois de termos sido salvos. Quer sejamos jovens ou velhos, todos nós experienciamos o vento tempestuoso.

Por exemplo, determinados irmãos entre nós na vida da igreja, anteriormente eram missionários ou obreiros cristãos. Um dia, uma tempestade veio a eles do norte e virou tudo de cabeça para baixo. Isso os levou a buscar o Senhor desesperadamente e, por fim, vieram para a vida da igreja.

Na verdade, um vento tempestuoso sopra sobre nós a cada passo em nossa vida espiritual. Esse vento tempestuoso é o próprio Deus soprando sobre nós para trazer uma tempestade em nossa vida, em nossa obra e em nossa igreja.

É realmente uma graça ter tempestades vindo a nós por meio de Deus. Enquanto estamos seguindo o Senhor, experienciaremos tempestade após a tempestade. Não posso dizer quantas tempestades vieram a mim, mas posso testificar que cada tempestade vale a pena relembrar. Cada tempestade tem-se tornado uma lembrança agradável. Creio que quando estivermos na eternidade, recordaremos as tempestades que experienciamos.

Sempre que Deus nos visita e nos reaviva, o Seu Espírito sopra sobre nós como um vento poderoso. Precisamos experienciar o Espírito dessa maneira ─ quanto mais forte, melhor. Tenho o desejo profundo de que nestes dias o Espírito de Deus sopre fortemente sobre nós como um vento poderoso.


A NUVEM

A nuvem sempre segue o vento tempestuoso. Se temos o vento, nós certamente teremos a nuvem, pois a nuvem é o resultado do soprar do vento. Como o vento tempestuoso, a nuvem significa o Espírito Santo.

Quando o Espírito Santo nos toca, Ele é como o vento. Quando o Espírito Santo nos visita e nos abriga, Ele é como a nuvem. Primeiramente, o Espírito Santo sopra sobre nós como o vento para mover-nos, em seguida, Ele permanece conosco como uma nuvem para cobrir-nos.


O Deus que Cobre Vem
como o Vento e Permanece como a Nuvem

A nuvem em Ezequiel 1:4 é uma figura de Deus cobrindo o Seu povo. Podemos usar a palavra cobrindo e dizer que a nuvem era Deus cobrindo o Seu povo. A nuvem, portanto, era nada menos que Deus cobrindo.

Deus vem como o vento, contudo, Ele permanece como a nuvem. Ao permanecer como a nuvem, Ele nos cobre, faz sombra e paira sobre nós para nos dar o desfrute da Sua presença, produzindo assim algo de Si mesmo em nossa vida diária. Como é maravilhoso! Esse é o Deus que nos cobre tipificado pela nuvem de cobertura.

Ao considerar a história do povo de Israel, podemos entender melhor o significado da nuvem. Inúmeras vezes, Deus apareceu-lhes e visitou-os como uma grande nuvem que os cobria. Por exemplo, depois que os israelitas saíram do Egito, os israelitas atravessaram o Mar Vermelho.

A respeito disso Paulo diz: “Nossos pais estiveram todos sob a nuvem e todos passaram pelo mar, e todos foram batizados em Moisés, tanto na nuvem como no mar” (1 Co 10:1-2).

A nuvem que cobria os filhos de Israel tipifica o Espírito de Deus. Por fim, os filhos de Israel chegaram ao Monte Sinai e acamparam ali. Em Êxodo 19:9, o Senhor disse a Moisés: “Eis que eu virei a ti numa nuvem espessa” e “uma nuvem espessa cobriu o monte” (v. 16).

No capítulo vinte e quatro é-nos dito que “uma nuvem cobriu o monte,” que o Senhor “chamou a Moisés do meio da nuvem”, e que “Moisés entrou no meio da nuvem” (vv. 15, 16, 18). Posteriormente, depois que a tenda de reunião foi estabelecida por Deus, a glória de Deus encheu a tenda e uma nuvem a cobriu e permaneceu sobre ela (40:34-35).

Todas as pessoas podiam ver que a nuvem estava cobrindo a tenda de reunião. Aquela nuvem representava a visitação de Deus e Sua permanência com eles. A nuvem também representa o cuidado de Deus para com o Seu povo e Seu favor para com eles.

Ele apareceu para eles como uma nuvem, cobrindo-os e sombreando-os, a fim de cuidar deles. Provérbios 16:15 diz que a benevolência do rei é como “uma nuvem de chuva serôdia”. Em Sua visitação graciosa, Deus vem a nós como uma nuvem para cuidar e mostrar favor a nós.

_________________

¹ No texto de Sl 75:6-7 essa “troca” nhebraico é real e intencional, e o texto de sustenta exatamente essa interpretação.

Hebraico:

כִּי לֹא מִמּוֹצָא וּמִמַּעֲרָב
וְלֹא מִמִּדְבַּר הָרִים׃
כִּי־אֱלֹהִים שֹׁפֵט

Transliteração:

Ki lo mimotsá u-mimaʿarav,
ve-lo mimidbar harím;
ki Elohím shofét.

Tradução literal:

“Porque não é do oriente, nem do ocidente, nem do deserto (do sul) que vem a exaltação; pois Deus é juiz.”

O texto menciona três direções: Oriente (מוצא / motsá), Ocidente (מערב / maʿarav) e Sul (deserto / midbar); o norte não é mencionado. Em vez disso, o verso seguinte começa diretamente com: כִּי־אֱלֹהִים שֹׁפֵט — “Pois Deus é juiz”.

No paralelismo poético hebraico, esperaríamos a quarta direção (norte) para completar o conjunto. Mas o texto substitui deliberadamente o norte por Deus. Essa substituição não é acidental nem apenas interpretativa; ela é estrutural e literária, ou seja, no hebraico, Deus ocupa o lugar do norte. O salmo pressupõe o conceito bíblico recorrente de que o norte é a direção associada à morada e à autoridade de Deus (cf. Sl 48:2; Is 14:13; Ez 1:4).


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quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Estudo-Vida de Ezequiel, semana 1, sexta, mensagem 3

ESTUDO-VIDA DE EZEQUIEL

Mensagem 3
O VENTO, A NUVEM, O FOGO E O ELECTRO

SEMANA 1 - SEXTA
Leitura Bíblica: Ez 1:4-8, 10; Ml 4:2; Mt 8:20; Lc 1:78; Jo 6:35, 10:9, 15:1

Ler e orar: Mas para vós outros que temeis o meu nome nascerá o sol da justiça, trazendo salvação nas suas asas; saireis e saltareis como bezerros soltos da estrebaria.(Ml 4:2)


O VENTO, A NUVEM, O FOGO E O ELECTRO

Nesta mensagem consideraremos Ezequiel 1:4. Esse versículo abrange quatro coisas principais: o vento, a nuvem, o fogo e o electro (metal brilhante). Primeiramente, um vento tempestuoso vinha do norte. Segundo, uma grande nuvem veio junto com o vento. Terceiro, havia um fogo a revolver-se. Quarto, do fogo, saia um electro.


NOSSAS EXPERIÊNCIAS
ESPIRITUAIS SÃO CONFORMES
NOSSO CONHECIMENTO DE DEUS

Genesis 1 começa com uma palavra a respeito de Deus, e Ezequiel 1 abre com uma visão gloriosa de Deus. Aqueles que conhecem a Deus podem testificar que nossas experiências espirituais são conformes nosso conhecimento de Deus. Da mesma forma, nosso serviço e os assuntos da igreja também dependem do nosso conhecimento de Deus.

O grau do nosso conhecimento de Deus irá determinar tanto o grau da nossa experiência espiritual quanto a situação da igreja. Espiritualmente falando, tudo o que temos depende do ser de Deus, da visão e manifestação e do nosso conhecimento de Deus.

As visões do livro de Ezequiel não começam com o homem, mas com Deus. As visões, as quais começam a partir do norte, onde Deus está, mostra-nos Deus em Sua vontade, plano, intenção, obra, ação e relação com o homem.

Essas visões revelam o que Deus espera que o homem seja em relação
a Ele. Além dos quatro itens anteriormente mencionados, as visões no capítulo um incluem os quatro seres viventes, as rodas com cambotas altas e espantosas, um céu tão claro como cristal, o glorioso trono de Deus, e o homem sobre o trono. À medida que consideramos as visões gloriosas de Deus nesse capítulo, é preciso prestar muita atenção a todas essas questões.


A BÍBLIA É UM LIVRO DE FIGURAS
QUE DESCREVEM COISAS ESPIRITUAIS

A Bíblia é um livro de figuras revelando-nos Deus e as coisas espirituais. Deus é Espírito, e como tal Ele é abstrato, misterioso, invisível, intangível e insondável. Deus não somente é abstrato, mas todas as coisas espirituais também são abstratas. 

Sem as figuras da Bíblia, seria bastante difícil para nós compreendermos Deus e as coisas espirituais. Em Sua sabedoria, Deus usa coisas visíveis, materiais para descrever as coisas invisíveis, espirituais. Além disso, Ele usa sinais e símbolos para expressar questões abstratas, misteriosas.

Por essa razão, a Bíblia usa muitos tipos, figuras e imagens para descrever e interpretar as coisas espirituais. Um grande número de itens no universo são símbolos de coisas espirituais.

Por exemplo, o sol simboliza Cristo como nossa luz (Ml 4:2; Lc 1:78), e pão simboliza Cristo como nosso sustento (Jo 6:35). Na verdade, todas as coisas positivas no universo podem ser usadas para retratar o que Cristo é para nós.

A intenção de Deus em Sua criação é usar as coisas da criação para ilustrar o que Cristo é. Isso significa que todo o universo veio a existir com a finalidade de descrever Cristo. Por exemplo, se a videira não tivesse sido criada, o Senhor Jesus não poderia ter usado uma videira para descrever a Si mesmo (Jo 15:1).

Se não houvesse raposas e pássaros, Cristo não poderia ter comparado Sua situação no Seu ministério ao de raposas com os seus covis e as aves com seus ninhos (Mt 8:20). Até mesmo o pasto foi criado para que o Senhor Jesus pudesse usá-lo como ilustração de Si mesmo (Jo 10:9).

Pela razão de o universo com os bilhões de coisas e pessoas, ele foi criado com a finalidade de descrever Cristo, Ele, ao revelar a Si mesmo, pode encontrar em qualquer ambiente algo para servir como ilustração de Si mesmo. O universo inteiro é uma figura de Cristo.

Se virmos isso, perceberemos quão rico, profundo, ilimitado e insondável Cristo é. Da mesma forma que a Bíblia como um todo é um livro de figuras, assim, Ezequiel como uma miniatura da Bíblia também é um livro figurativo, um livro cheio de figuras.

Essas figuras são apresentadas sob a forma de visões. As visões que Ezequiel viu estavam absolutamente relacionadas com Deus e com as coisas espirituais e, portanto, não deve ser entendido de forma literal, física. Se tentarmos interpretar as visões de Ezequiel, literalmente, não seremos capazes de compreendê-las.

Quando era jovem, não conseguia entender o livro de Ezequiel. Quanto mais eu lia esse livro, mais confuso ficava. Particularmente, não conseguia entender a questão dos quatro seres viventes. Cada um dos seres viventes tinha quatro rostos: na parte da frente, o rosto de um homem; à direita, o rosto de um leão; à esquerda, o rosto de um boi; e na parte de trás, o rosto de uma águia (Ez 1:5-6, 10).

Além disso, “as plantas de cujos pés era como a de um bezerro,” e “debaixo das asas tinham mãos de homem” (vv. 7a, 8a). Pensava que a figura dos seres viventes era muito estranha, e não podia compreendê-la de forma alguma.

Agradeço ao Senhor que, à medida que gradualmente avancei na minha experiência espiritual, comecei a entender as visões de Ezequiel, comparando o registro em Ezequiel com outras porções da Palavra.

Por fim, como alguém que monta as peças de um quebra-cabeça, a fim de ter uma visão completa, coloquei várias partes da Palavra juntas e comecei a ver as figuras dos assuntos espirituais retratados no livro de Ezequiel, percebendo que Ezequiel usa coisas visíveis, físicas para representar coisas espirituais.

Agora em nosso estudo de Ezequiel precisamos ver o significado espiritual intrínseco das figuras nesse livro, considerando-as à luz de toda a Bíblia e compará-las com a nossa experiência espiritual. Começaremos agora a considerar os quatro assuntos em Ezequiel 1:4, ponto por ponto.


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Estudo-Vida de Ezequiel, semana 1, quinta, mensagem 2

ESTUDO-VIDA DE EZEQUIEL

Mensagem 2
Introdução (2)

SEMANA 1 - QUINTA
Leitura Bíblica: Gn 28:11-17; 1 Reis 18:46; Ez 1:1-3, 40:4; Mt 3:16-17; At 7:56

Ler e orar: E sonhou: Eis posta na terra uma escada cujo topo atingia o céu; e os anjos de Deus subiam e desciam por ela. (Gn 28:12)


AS CONDIÇÕES PARA VER AS VISÕES

Finalmente, quanto à introdução, em 1:1-3 é preciso considerar as condições para ver as visões.


Os Céus São Abertos

“Os céus foram abertos, e eu vi as visões de Deus” (v. 1b). A abertura dos céus é a visitação especial de Deus. Sempre que as pessoas na terra forem uma com Deus, os céus se abrirão para elas. Na terra do cativeiro, lá estava um homem, Ezequiel, que estava maduro e que era um com Deus, e os céus se abriram para ele.

Hoje, o princípio é o mesmo. Precisamos que os céus se abram para nós, entretanto, para que os céus sejam abertos em nossa experiência, precisamos ser Ezequiéis. Se formos os Ezequiéis de hoje, teremos um céu aberto.

A primeira vez que a Bíblia menciona os céus sendo abertos foi quando Jacó estava vagando na sua tentativa de escapar de seu irmão Esaú. Ele teve um sonho e nesse sonho os céus se abriram para ele (Gn 28:11-17). Isso significava que Deus pretendia ganhar Jacó como Seu porto seguro na terra para que os céus pudessem ser abertos para a terra.

Quando o Senhor Jesus foi batizado, os céus se abriram para declarar que havia um homem na terra que era um com Deus no céu (Mt 3:16-17). Quando Estevão foi martirizado, os céus se abriram para ele (At 7:56). Quando o Senhor Jesus voltar, os céus serão abertos mais uma vez. É uma grande bênção para os filhos de Deus ter os céus abertos para eles.

Depois que a terra tinha sido ocupada por Satanás e o povo na terra tinha sido danificado por ele, Deus não poderia vir à terra, e os céus, onde Deus está, não pôde ser aberto para o povo na terra. Essa era situação na época de Ezequiel.

O povo de Israel tinha sido danificado por Satanás e levado para o cativeiro, e, como resultado, os céus não puderam ser abertos para eles. No entanto, entre aqueles no cativeiro, havia um sacerdote que O estava buscando e contatando e que estava ligado aos céus.

Os céus poderiam, portanto, serem abertos para ele e até mesmo descer à terra, permitindo que as coisas celestiais de Deus fossem vistas pelo povo na terra e fossem realizadas entre eles na terra. Essa era realmente uma grande questão.

Deus continua precisando de um povo que possa fazer com que os Seus céus sejam abertos. Hoje, a terra ainda está ocupada por Satanás; as pessoas na terra ainda estão nas mãos de Satanás; e a maioria do povo de Deus ainda estão no cativeiro. Portanto, há uma necessidade urgente de alguns, como Ezequiel, que busquem a Deus, que tenham comunhão com Deus e sejam sacerdotes de Deus que ministram diante Dele. 

Se Deus tiver tais Ezequiéis hoje, os céus se abrirão, as pessoas na terra serão capazes de ver as visões celestiais, e as coisas celestiais serão realizadas na terra. Que nestes dias possamos todos buscar a Deus e ter comunhão com Ele, e que os céus se abram para nós!


Uma Visão Recebida

Não somente os céus foram abertos a Ezequiel, mas as visões vieram, e algo foi revelado, desvendado, para ele. Deus disse a Ezequiel, “Vê com os próprios olhos, ouve com os próprios ouvidos; e põe no coração tudo quanto Eu te mostrar” (40:4).

Os céus se abriram com a finalidade de permitir que Ezequiel visse as visões de Deus. As visões de Deus são as Suas revelações, que nos permitem ver as coisas divinas, espirituais e celestiais. Aqueles para quem os céus não estão abertos não podem ver as coisas celestiais de Deus.

No capítulo um Deus abriu o véu no céu e deixou Ezequiel ver o que estava por trás do véu. Ezequiel viu quatro seres viventes e o glorioso trono de Deus. Por causa do que viu, ele ficou cheio de encargo para transmitir essas visões a outros.

O que ele falou não era um ensinamento ou algo imaginário, mas uma visão celestial que tinha visto em espírito. Cada ministro da Palavra de Deus deve transmitir as visões espirituais, celestiais, para outros. Nessas mensagens não estou ministrando teoria, conceito, doutrina, ou qualquer coisa da teologia sistematizada; estou ministrando uma visão dos céus abertos.

Todas as igrejas e todos os santos precisam ver as visões celestiais. Portanto, o que apresentamos aos filhos de Deus não deve ser mero ensinamento, doutrina ou conhecimento adquirido a partir da leitura, mas uma visão que temos visto em espírito sob os céus abertos através da nossa comunhão com Deus.

Isso fará com que o povo de Deus seja restaurado do seu cativeiro, e isso trará à edificação das igrejas de Deus. Espero que todas as mensagens liberadas entre nós na restauração do Senhor estejam saturadas com as visões de Deus.


A Palavra de Deus Vem Expressamente

Deus não somente deu Suas visões a Ezequiel ─ Ele também deu a ele Suas palavras. As visões são as revelações de Deus, que nos levam a ver alguma coisa. As palavras de Deus são as Suas explanações, que nos levam a ouvir alguma coisa.

Porque Deus quis que Ezequiel não apenas visse com os olhos, mas também ouvisse com os ouvidos (40:4), Ele deu a ele as palavras juntamente com Suas visões. Ele explanou as Suas visões com as Suas palavras.

As palavras que vieram a Ezequiel não eram comuns ou habituais; elas eram especiais. As palavras dadas a Ezequiel, eram especiais, frescas e vivas, diferentes das palavras dadas a Moisés, Isaías e Jeremias. Na verdade, elas são diferentes das palavras de qualquer outro livro da Bíblia.

Quando lemos o livro de Ezequiel, sentimos que as palavras desse livro são especiais. As palavras em Ezequiel são palavras especiais de Deus, que vieram de uma forma particular, a um homem que estava num estreito relacionamento com Deus.

Ezequiel 1:3a diz: “Veio expressamente a palavra do Senhor a Ezequiel, o sacerdote.” Essa não era uma palavra comum ─ ela era uma palavra expressa. Hoje, nós também não precisamos de uma palavra comum, mas de uma palavra expressa.

Para tal palavra expressa, não vá para as exposições da Bíblia, nem mesmo vá aos livros de Watchman Nee e Witness Lee. Você precisa ter uma palavra expressa do Senhor. Com Ezequiel, os céus se abriram, as visões vieram, e a palavra veio expressamente.

Aqueles que são ministros da palavra de Deus precisam de Deus para dar-lhes não apenas visões, mas também palavras especiais, palavras frescas. Precisamos ver as visões celestiais de Deus, e precisamos ouvir palavras especiais de Deus. Precisamos que as palavras nos permitam compreender as visões, e precisamos que as palavras nos permitam anunciar e explicar o que vimos. Que as palavras de Deus possam vir a nós expressamente junto com as Suas visões!


A Mão de Deus Estava sobre Ele

Ezequiel 1:3b continua a dizer: “E ali esteve sobre ele a mão do Senhor.” Aqui vemos que a mão do Senhor segue a palavra do Senhor. A sequência é significativa: os céus abertos, as visões, a palavra de Deus, e a mão de Deus. A mão de Deus sempre segue o Seu falar.

Tudo o que Ele diz, Ele faz. Se o que ministramos é verdadeiramente a palavra de Deus, a mão de Deus seguirá. No entanto, se você ministra muitas coisas e nada acontece, isso significa que você tem uma boca balbuciando, mas a mão de Deus não está operando. Você precisa da poderosa mão de Deus para realizar o que está falando.

Hoje precisamos dos céus abertos; precisamos da visão que vem a nós; precisamos que a palavra do Senhor venha expressamente a nós; e precisamos que a mão do Senhor esteja sobre nós. Se falamos e a mão divina não segue, então o nosso falar é um falatório inútil, e os outros não prestam atenção a ele.

No entanto, se o que ministramos é a palavra expressa de Deus, os outros devem ser cuidadosos sobre como eles lidam com tal palavra. Aquele que fala a palavra expressa de Deus pode ser uma pessoa insignificante, mas a mão de Deus não é uma questão insignificante. 

Deus virá para realizar o que Ele diz e operar de acordo com o Seu falar. A mão de Deus sobre o homem é também para liderá-lo e levá-lo a agir (cf. 1 Reis 18:46). As visões são para ver; as palavras, para ouvir; e a mão para agir. A mão do Senhor sobre Ezequiel sustentou-o, guiou-o, levantou-o e levou-o para que ele pudesse agir.

Depois que a mão do Senhor veio sobre Ezequiel, tudo o que ele fez foi devido à liderança e direção da mão do Senhor. A mão de Deus guiou e dirigiu Ezequiel como uma pessoa que falava em nome de Deus. Todas as suas ações estavam sob a mão de Deus. Onde quer que fosse, tudo o que fazia, e como agia e se comportava eram tudo devido ao guiar de Deus e a direção da mão.

Quer ele estivesse preso ou livre, quer se lamentasse ou alegrasse, quer ele saísse ou chegasse ─ tudo estava sob a liderança e a direção da mão de Deus. Aqui vemos que um homem que fala por Deus já não tem sua própria liberdade e já não pode fazer as coisas de acordo com sua própria conveniência.

Se a mão de Deus o leva a ir a um determinado lugar, ele deve ir para lá. Se a mão de Deus dirigir-lhe para fazer uma determinada coisa, ele deve fazê-la. Suas ações estão de acordo com a direção da mão de Deus e estão sob a direção estrita da mão de Deus. Para onde ele vai e o que faz não é de acordo com sua escolha, mas estão sob e de acordo com a liderança e a direção da mão de Deus. Isso requer que aquele que fala por Deus pague um preço considerável.

Cada ministro da Palavra de Deus deve cumprir as quatro condições para ter as visões de Deus. Todo aquele que fala as palavras de Deus de uma maneira normal deve ser aquele a quem os céus estão abertos, alguém que tenha tido visões de Deus, aquele a quem as palavras de Deus vieram expressamente, e aquele que tem a mão de Deus sobre ele.

Que todos nós cheguemos ao “trigésimo ano”, e que possamos estar todos juntos ao rio Quebar, e não na maré da Babilônia. Que todos nós tenhamos um céu aberto, vejamos as visões de Deus, recebamos as palavras de Deus, e tenhamos a liderança e a direção da mão de Deus sobre nós. Deus precisa de tais pessoas hoje, e a igreja também precisa delas. Que todos nós possamos nos tornar tais pessoas para atender a necessidade de Deus!


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terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Estudo-Vida de Ezequiel, semana 1, quarta, mensagem 2

ESTUDO-VIDA DE EZEQUIEL

Mensagem 2
Introdução (2)

SEMANA 1 - QUARTA
Leitura Bíblica: Ez 1:1-3; Nm 4:2-3; 1 Cr 23:3a; Lc 3:23a;
Ez 40:17; 41:6a; 46:22; Nm 8:24; Gn 11: 6, 31

Ler e orar: Aconteceu no trigésimo ano, no quinto dia do quarto mês, que, estando eu no meio dos exilados, junto ao rio Quebar, se abriram os céus, e eu tive visões de Deus.(Ez 1:1)


Nesta mensagem continuaremos a considerar Ezequiel 1:1-3, da qual três versículos são a introdução desse livro. Vimos a data das visões, e agora continuaremos a ver o lugar das visões, a pessoa que viu as visões e as condições para se ver as visões.


O LUGAR

O segundo ponto na introdução é o lugar onde Ezequiel viu as visões. O versículo 3 nos diz que as visões vieram a Ezequiel quando ele estava “na terra dos caldeus, junto ao rio Quebar”.


Na Caldéia

O lugar ─ a terra dos caldeus ─ não era um bom lugar, pois a Caldéia era o lugar onde Babel começou. O nome Babel, em hebraico é o equivalente a Babilônia no grego. Assim, podemos dizer que a Caldéia era realmente Babilônia, e que a Babilônia era Babel, o lugar onde Satanás reúne as pessoas caídas para se rebelarem contra Deus.

O mesmo lugar onde Ezequiel viu as visões era o lugar onde Satanás instigou a maior rebelião contra Deus entre as pessoas caídas. Esse foi também o lugar a partir do qual Deus chamou Abraão para que Ele pudesse ter um povo escolhido (Gn 11:6, 31).

Infelizmente, na época de Ezequiel, a maioria do povo escolhido de Deus havia sido levado de volta para aquele lugar. Seu cativeiro foi a sua queda. Eles tinham caído no mesmo lugar do qual seu antepassado Abraão tinha sido chamado por Deus.

Peço-lhes que considerem a situação dos cristãos hoje. A maioria dos cristãos estão na terra de Canaã ou na terra dos caldeus? Certamente, a maioria dos cristãos não estão na boa terra, mas num lugar de degradação. Por isso, o livro de Ezequiel se encaixa exatamente à situação dos cristãos hoje.


Junto à um Rio

Quando Ezequiel viu as visões, ele estava junto à um rio. Ele diz no versículo 1: “Estando eu no meio dos exilados, junto ao rio Quebar”. O rio Quebar significa o poder do inimigo para danificar o povo de Deus (cf. Is. 8:7-8). Quebar significa “forte”, “muitos”, “poderoso”. Esse rio, o rio da Babilônia, indica que Babilônia era forte e poderosa, e, portanto, significa o poder da Babilônia em ser contra o povo de Deus. Hoje, o “rio Quebar” é a maré satânica da era que arrasta as pessoas para longe de Deus, para a Babilônia.

Há dois rios no livro de Ezequiel: o rio Quebar no capítulo um e o rio que flui do templo no capítulo quarenta e sete. O rio Quebar arrasta o povo de Deus para longe de Deus, mas o rio que flui do templo traz de volta as pessoas para a vida de Deus. Precisamos perceber que esses dois rios ainda estão na terra hoje. Um rio é a tendência, o curso, a maré, deste mundo. Esse é o rio da Babilônia, o rio no mundo caído, que arrasta as pessoas para longe de Deus.

Louvamos ao Senhor que há outro rio e que tudo vive por onde quer que passe esse rio. Dois rios estão fluindo hoje. Um rio é deste mundo; o outro rio é da terra santa. Um rio arrasta as pessoas para longe de Deus; o outro rio traz de volta as pessoas para Deus em vida.

Um rio destrói o edifício de Deus; o outro rio edifica a habitação de Deus. Por qual rio você é ─ pelo rio Quebar ou pelo rio que flui da habitação de Deus? Você pode dizer que você é pelo rio de água viva que sai da habitação de Deus, mas você ainda pode ter algo a ver com o curso deste século, a tendência do mundo atual. Se você ainda está na tendência do mundo atual, você não é pelo rio de água viva, mas está junto ao rio Quebar, e você não está na terra santa, mas na terra dos caldeus.

Quando os céus se abriram para Ezequiel, ele estava junto ao rio Quebar, contudo, ele não estava nesse rio. Muitos do povo de Israel tinham sido mortos pelo exército babilônico; outros haviam morrido por causa da fome, doenças e animais selvagens.

No entanto, a situação não era totalmente desesperançosa, pois Deus ainda deixou alguma “terra seca”, junto ao rio, que tinha arrastado o Seu povo de volta. Ao dar-lhes essa “terra seca”, Deus lhes permitiu, capacitou-os a se manterem vivos e serem preservados. Isso indica que a graça de Deus permaneceu com Ezequiel, com o rei Joaquim, e com muitos outros que haviam sido levados para o cativeiro.

Se eles não estivessem junto às margens do rio Quebar, mas em vez disso, estivessem no rio, todos teriam perecido. Por causa da graça de Deus, eles ainda poderiam viver junto ao rio, na terra do cativeiro. Embora não pudessem viver em Canaã e, portanto, não pudessem aproveitar a abundância da graça em Cristo, eles ainda podiam desfrutar de alguma misericórdia na terra do cativeiro.

As visões registradas no livro de Ezequiel são urgentemente necessárias para os cristãos hoje e a igreja hoje. Quanto mais contato o Senhor e tenho comunhão com Ele e quanto mais observo a situação atual, mais percebo que as visões de Ezequiel são mensagens de Deus para a era atual.

As visões que Deus deu a Ezequiel era para pessoas que estavam no cativeiro junto ao rio Quebar. Hoje a maioria dos filhos de Deus também estão na terra do cativeiro. Em vez de permanecerem em Cristo como a boa terra de Canaã, eles caíram no cativeiro de Babilônia, onde não vivem em Cristo de maneira adequada e contínua e onde não desfrutam das riquezas de Cristo. Essa é a condição geral dos cristãos hoje. Por essa razão, acredito que as visões do livro de Ezequiel atendem a necessidade do povo de Deus hoje.


A PESSOA

O próximo ponto a considerar é a pessoa ─ Ezequiel ─ que viu as visões.


Entre os Cativos

No versículo 1 Ezequiel nos diz que ele “estava entre os cativos junto ao rio Quebar”. Como um cativo na terra do cativeiro, Ezequiel foi testado e, certamente, deve ter ficado perplexo, aflito e deprimido. Essa também pode ser a nossa experiência hoje. Às vezes, quando nos reunimos com os irmãos e irmãs, sentimos que estamos na terra do cativeiro e nos sentimos angustiados e deprimidos.


Um Sacerdote

O versículo 3 fala explicitamente de “Ezequiel, o sacerdote”. Como sacerdote, Ezequiel era um dos que viviam na presença de Deus, servindo a Deus e se mesclando com Deus. Ezequiel era esse tipo de pessoa. Embora estivesse na terra do cativeiro, ele ainda vivia na presença de Deus e ministrava perante Ele.

Ele estava junto ao rio Quebar, não no templo sagrado, mas como sacerdote ele O buscava, orava, contatava, tinha comunhão com Ele, e esperava por Ele. Porque Ezequiel era tal pessoa e contatava Deus de tal maneira, os céus se abriram para ele, e ele “viu as visões de Deus” (v. 1).

Encorajamos a todos os irmãos e irmãs no Senhor para servi-Lo como sacerdotes. Todos nós
precisamos aprender a orar a Deus, contatar Deus, ter comunhão com Deus, e viver diante de Deus. Se exercermos o oficio como sacerdotes, dessa maneira, os céus se abrirão para nós, e veremos as visões de Deus.


O Filho de Buzi, contudo Fortalecido por Deus

Ezequiel era o filho de Buzi. Buzi significa “desprezo” ou “desprezado”. Ezequiel era um profeta que foi muito desprezado pelo povo e que foi tratado com desprezo. Em seu ministério não recebeu nenhuma glória.

Se você é um Ezequiel na restauração do Senhor hoje, você deve esperar ser uma pessoa desprezada. Não pense que você terá qualquer glória. Outros irão desprezá-lo e tratá-lo com desprezo.

Ezequiel significa “Deus fortalecerá”. Também significa “o Todo-poderoso é a tua força”. O nome de Ezequiel termina com o sufixo "el", que significa “o Poderoso”. Por um lado, ele era o filho de Buzi, desprezado por outros. Por outro lado, ele era Ezequiel, fortalecido por Deus, o Poderoso.

Em 3:8-9a o Senhor disse a Ezequiel: “Eis que fiz duro o teu rosto contra o rosto deles e dura a tua fronte, contra a sua fronte. Fiz a tua fronte como o diamante, mais dura do que a pederneira”.

Ele era desprezado e tratado com desprezo, mas foi fortalecido por Deus. Para Ezequiel, ser o filho de Buzi significava que ele era um filho de vergonha, um filho de humilhação. Podemos pensar que, como um profeta, seu ministério profético teria sido glorioso. No entanto, quando lemos o livro de Ezequiel, vemos que no cumprimento de seu ministério como profeta, ele era constantemente desonrado e envergonhado.

Deus designou Ezequiel para ser um sinal para o povo de Israel, um sinal para eles serem envergonhados (12:6, 11; 24:24, 27). Deus exigia que ele realizasse determinadas manifestações, e nessas manifestações ele se tornou um profeta em desonra.

Por exemplo, Deus lhe disse que se deitasse sobre o seu lado esquerdo por trezentos e noventa dias e sobre o seu lado direito por quarenta dias (4:4-6) e comesse pão preparado com esterco de vaca (vv. 9-15).

Deus também disse a ele para abrir um buraco no muro da cidade e carregasse as suas coisas através do muro, e Ezequiel fez como lhe foi ordenado (12:1-7). Além do mais, um dia, sua esposa faleceu repentinamente (24:16-18). Ezequiel certamente era um filho da desonra.

Aqueles que ministram a palavra do Senhor hoje também serão filhos da desonra. Quando o povo de Deus está no cativeiro, aqueles que se levantam para ser ministros de Deus, servindo como Seus sacerdotes e vendo Suas visões, terão que carregar a vergonha do povo de Deus. Uma vez que o povo cativo de Deus está em desonra, os ministros de Deus também estarão em desonra à medida que ministrarem as palavras de Deus.

Embora Ezequiel fosse um filho da desonra que sofreu vergonha e desgraça, o Deus Todo-poderoso era sua força. Visto que ele foi empoderado por Deus, Ezequiel pôde ser forte em meio a desonra. Como um homem fortalecido e empoderado por Deus, ele podia suportar toda a vergonha e desgraça, a fim de cumprir o seu ministério como um profeta de Deus, o oráculo de Deus.

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Hino: Louvor ao Senhor - Diversos

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Estudo-Vida de Ezequiel, semana 1, terça, mensagem 1

ESTUDO-VIDA DE EZEQUIEL

Mensagem 1
Introdução (1)

SEMANA 1 - TERÇA
Leitura Bíblica: Ez 1:1-3, 40:17, 41:6,  46:22;  Nm 4:2-3, 8:24; 1 Cr 23:3a; Lc 3:23a

Ler e orar: Ora, tinha Jesus cerca de trinta anos ao começar o seu ministério. Era, como se cuidava, filho de José, filho de Eli (Lucas 3:23)


UMA INTRODUÇÃO EXTRAORDINÁRIA


Cada livro da Bíblia começa de uma maneira única. Por exemplo, Gênesis começa assim: “No princípio, criou Deus os céus e a terra.” Mateus e João começam de uma maneira muito diferente. Mateus 1:1 diz: “Livro da geração de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão.” João 1:1 diz: “No princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus, e a Palavra era Deus.”

O livro de Ezequiel também começa de uma forma muito peculiar. Os três primeiros versículos de Ezequiel é, uma introdução especial específica, extraordinária para o livro. Ezequiel 1:1-3 diz: “Aconteceu no trigésimo ano, no quinto dia do quarto mês, que, estando eu no meio dos exilados, junto ao rio Quebar, se abriram os céus, e eu tive visões de Deus. No quinto dia do referido mês, no quinto ano de cativeiro do rei Joaquim, veio expressamente a palavra do Senhor a Ezequiel, filho de Buzi, o sacerdote, na terra dos caldeus, junto ao rio Quebar, e ali esteve sobre ele a mão do Senhor.”

Nessa introdução quatro coisas principais são cobertas. Primeira, esse é um livro de visão, e esses versículos introdutórios nos mostram o ano, o mês e o dia em que Ezequiel começou a ver as visões. Segunda, esses versículos nos mostram o local onde ele viu as visões. Terceira, temos aqui uma palavra a respeito do homem, a pessoa, que viu as visões. Quarta, o  lugar, nessa introdução, vemos as condições para se ver as visões.


A DATA DAS VISÕES

Relativamente à introdução de Ezequiel, a primeira coisa que precisamos considerar é a data, com o ano, o mês e o dia.


O Trigésimo Ano

O ano era o trigésimo ano. Isso se refere à idade de Ezequiel. Naquela época Ezequiel tinha trinta anos de idade. De acordo com Números 4:2-3 e 1 Crônicas 23:3, um sacerdote, um levita, começava a servir ao Senhor com a idade de trinta anos. O Senhor Jesus também começou a servir a Deus em Seu ministério com a idade divinamente legal de trinta anos (Lc 3:23).

Como um sacerdote que tinha atingido a idade de trinta anos, Ezequiel estava qualificado para iniciar seu ministério sacerdotal. Aqui temos o princípio que, para compreender as coisas espirituais e ver as visões celestiais, precisamos de maturidade em vida. A idade de trinta anos significa maturidade.

No momento em que os sacerdotes atingiam a idade de trinta anos, eles eram considerados maduros. Portanto, a frase no trigésimo ano indica que Ezequiel, estando com trinta anos de idade, estava maduro. Isso indica que, se quisermos ver as visões no livro de Ezequiel, temos de ter maturidade em vida.

Os cristãos hoje têm dificuldade em compreender esse livro porque a maioria deles não têm maturidade na vida divina. Espiritualmente falando, não muitos cristãos têm atingido a idade de trinta anos, e, portanto, é difícil para eles entenderem as visões nesse livro.

Em Ezequiel 40 a 48, a porção desse livro que é dedicada ao edifício de Deus, o número trinta é usado para três tipos de coisas. O átrio exterior do templo de Deus em 46:22 tem quatro cantos, cada um deles tem uma largura de trinta côvados. Esses quatro cantos são os lugares para os sacerdotes prepararem as ofertas para o povo comer e desfrutar.

De acordo com o versículo 40:17, no átrio exterior do templo tem trinta câmaras. Quando o povo se reúne para adorar a Deus, eles podem desfrutar das ofertas ricas nessas trinta câmaras. Ezequiel 41:6 menciona outras trinta câmaras laterais. Essas câmaras estão ao redor do templo nos três lados, em cada um dos três andares. Em cada andar há trinta câmaras laterais. Todas essas câmaras laterais indicam a plenitude do templo.

Quando colocamos esses versículos juntos, podemos ver que trinta é um número relacionado a preparar Cristo, ministrar Cristo aos outros, desfrutar as riquezas de Cristo e expressar a plenitude de Cristo. Assim, na Bíblia o número trinta significa a maturidade em vida para se preparar Cristo para os outros, para nós mesmos desfrutar de Cristo, e para expressar Cristo em toda a Sua plenitude.

Quando Ezequiel viu as visões registradas nesse livro, ele tinha trinta anos de idade. Ele era uma pessoa madura, capaz de preparar Cristo e ministrar Cristo para o desfrute de outros e também ser capaz de desfrutar das riquezas do próprio Cristo e expressar Cristo em toda a Sua plenitude.

O número trinta não era apenas significativo para Ezequiel, mas também é significativo para nós, como crentes em Cristo hoje. Assim como Ezequiel tinha que estar maduro, a fim de servir como um sacerdote, ver as visões, preparar Cristo como as ofertas para o desfrute de outros, desfrutar as riquezas de Cristo e expressar a plenitude de Cristo, assim, também precisamos amadurecer em nossa vida espiritual, para que possamos ver as visões a respeito de Cristo e do Seu Corpo, preparar Cristo para o desfrute de outros e desfrutar de todas as riquezas de Cristo para se tornar a plenitude de Cristo como Sua expressão.

No livro de Ezequiel, o número trinta é formado de duas maneiras: cinco multiplicado por seis e três multiplicado por dez. Ele é constituído, principalmente de três vezes dez. Na Bíblia, o número dez, que é o número completo de um homem, é composto de dois cinco, de cinco vezes dois. Considere, por exemplo, as dez virgens em Mateus 25. Cinco virgens eram prudentes e cinco eram néscias.

Aqui vemos que as dez virgens foram divididas em dois grupos de cinco. Com os Dez Mandamentos, havia cinco mandamentos numa tábua e mais cinco numa segunda. Os Dez Mandamentos, portanto, também foram divididos em dois grupos de cinco. O número cinco significa a responsabilidade que podemos suportar por termos Deus acrescentado a nós. 

Quatro é o número da criatura, e um é o número do Criador. Quando o Criador é adicionado à criatura, a criatura é capaz de assumir responsabilidade. O número dois é o número do testemunho, união e equilíbrio. Quando o Senhor Jesus enviou os discípulos, Ele enviou-os de dois em dois.

O número dez, composto por dois cinco, significa que, como criaturas, temos Deus acrescentado a nós para que possamos ser capazes de assumir responsabilidade. Isso indica que somos agraciados para sustentar responsabilidade diante de Deus na forma de testemunho, união e equilíbrio.

Como mostrado nos capítulos seguintes, essa responsabilidade ocorre em três níveis, ou patamares, significando as três pessoas da Divindade ─ o Pai, o Filho e o Espírito. Três é o número do Deus Triúno, e trinta significa a tríplice natureza de Deus estando no homem. 

Trinta é, portanto, um número importante, significando o homem com o Deus Triúno nele sustentando responsabilidade de uma forma completa. De tudo isso, podemos ver que em Ezequiel, o número trinta indica que as criaturas têm o Deus Triúno adicionado à elas, para que possam sustentar responsabilidade no Deus Triúno. 

Isso é maturidade em vida, da qual precisamos para prepararmos Cristo para o desfrute de outros, a fim de que nós mesmos desfrutemos Cristo de uma maneira plena, e O expressemos como Sua plenitude. Somente por termos esse tipo de maturidade, seremos capazes de ver as visões do livro de Ezequiel.


O Quinto Ano

Ezequiel continua a falar do quinto ano. Considerando que o trigésimo ano foi contado a partir do ano de seu nascimento, o quinto ano foi contado a partir do ano do cativeiro. Por que as visões vieram no quinto ano do cativeiro e não antes? As visões não vieram mais cedo porque o povo não estava pronto e o próprio Ezequiel, que tinha menos de trinta anos, também não estava pronto. Isso indica que, para ver as visões registradas em Ezequiel, exige-se que nós mesmos estejamos preparados.

Ezequiel estava com trinta anos quando viu as visões, contudo, no ano do cativeiro, ele tinha apenas vinte e cinco. Números 4:2-3 nos diz que os sacerdotes começavam o seu ministério com a idade de trinta anos, mas Números 8:24 diz que os levitas começavam a servir com a idade de vinte e cinco.

A razão para a diferença aqui é que os sacerdotes precisavam de cinco anos de aprendizado. Eles não podiam entrar no serviço sacerdotal imediatamente. Em vez disso, precisavam ser treinados e disciplinados por cinco anos. No início do cativeiro, Ezequiel era um sacerdote iniciante, um aprendiz. Ele ainda não tinha maturidade necessária para ver as visões.

Isso indica que nas coisas espirituais é necessário maturidade. Devido à falta de maturidade, alguns entre nós não podem ver as visões que o Senhor tem a intenção de nos mostrar a partir desse livro. Não podemos ver certas questões espirituais quando somos jovens. Portanto, precisamos buscar o Senhor para que Ele nos conceda maturidade em vida, a fim de que possamos ver, aceitar, receber e tomar posse de todas as coisas espirituais.

O fato de as visões virem no quinto ano indica que não só Ezequiel, mas também o povo tinha sido preparado. O número cinco significa que o homem é agraciado por Deus para sustentar responsabilidade para com Deus. Mesmo o povo de Deus estando no cativeiro, eles ainda tinham alguma graça, por isso, quando chegou o momento, puderam sustentar responsabilidade diante de Deus.

O “quinto ano do cativeiro do rei Joaquim” indica que o tempo tinha vindo para o povo de Israel assumir responsabilidade para com Deus. Quando esse cativeiro começou, Ezequiel iniciou-se no oficio de sacerdote. Mesmo no cativeiro, Deus lhe deu a graça para que pudesse aprender o oficio de sacerdote.

Na época do quinto ano, tanto Ezequiel quanto o povo estavam prontos. Por um lado, Ezequiel, tendo atingido a idade de trinta anos, poderia oficialmente ministrar como sacerdote diante de Deus. Por outro lado, o povo poderia sustentar agora sua responsabilidade, e Deus veio para falar com eles a respeito disso.

Antes que os pais de uma criança possam falar-lhe acerca de uma determinada responsabilidade, a criança deve ter a idade adequada para receber tal falar. Uma criança deve atingir uma determinada idade antes que seus pais possam pedir-lhe que tenha certa responsabilidade.

A situação é semelhante com o falar de Deus no livro de Ezequiel. Deus não falou até o quinto ano de seu cativeiro. Antes de Ezequiel atingir a idade de trinta anos, Deus não lhe deu a responsabilidade de falar por Ele. Da mesma forma, antes do quinto ano do cativeiro, o povo não tinha recebido graça suficiente para arcar com a responsabilidade da qual Deus falaria com eles.

Contudo, na época do quinto ano, o povo tinha graça suficiente, e Ezequiel tinha aprendido o suficiente e agora podia arcar com a responsabilidade de falar por Deus. Assim, no quinto ano Deus queria que Ezequiel arcasse com a responsabilidade de falar ao povo de Israel e Ele queria que Israel arcasse com a responsabilidade de ouvir Suas palavras.

Não podemos falar sobre as coisas no livro de Ezequiel para aqueles que acabaram de ser salvos, pois eles não podem entendê-las. No entanto, quando alguém alcança o “quinto ano” de sua salvação, Deus pode querer falar com tal pessoa de uma forma particular. Da mesma forma, como alguém que fala por Deus, eu não poderia falar dessas coisas até que eu tivesse chegado ao “trigésimo ano”.

Agora que cheguei ao meu “trigésimo ano” e outros chegaram ao seu “quinto ano”, sou capaz de falar com eles sobre as visões de Ezequiel, e eles são capazes de receber esse falar. Tanto aquele que fala quanto aqueles que ouvem devem assumir a sua responsabilidade para com Deus.

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Hino: Adoração ao Pai - "Sua Transcendência"

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domingo, 25 de janeiro de 2026

Estudo-Vida de Ezequiel, semana 1, segunda, mensagem 1

ESTUDO-VIDA DE EZEQUIEL

Mensagem 1
Introdução (1)

SEMANA 1 - SEGUNDA
Leitura Bíblica:  Ez 1:1-3; Nm 4:2-3; 1 Cr 23:3a; Lc 3:23a;
Ez 40:17; 41:6a; 46:22; Nm 8:24; Gn 11: 6, 31

Ler e orar: Toda criatura vivente que vive em enxames viverá por onde quer que passe este rio, e haverá muitíssimo peixe, e, aonde chegarem estas águas, tornarão saudáveis as do mar, e tudo viverá por onde quer que passe este rio. (Ez 47:9)





ESTUDO-VIDA DE EZEQUIEL

MENSAGEM UM
INTRODUÇÃO (1)

Nossa intenção nestas mensagens é ver as visões no livro de Ezequiel. Nosso objetivo não é pesquisar esse livro ou expô-lo, mas ver as visões da vida gloriosa de Deus nele contidas. Portanto, em vez de considerar Ezequiel versículo por versículo ou até mesmo capítulo por capítulo, nos esforçaremos para liberar os pontos cruciais concernentes a vida nesse livro.


O Livro de Ezequiel é Idêntico ao Livro de Apocalipse

A Bíblia revela que uma misteriosa história se desenrola no universo ─ a história que envolve Deus e o homem. Nessa história, Deus entra no homem para ser sua vida, fazendo com que o homem tenha Sua natureza e Sua imagem gloriosa.

Por fim, a natureza divina e o homem serão edificados juntos para ser o lugar de descanso de Deus. Como resultado dessa edificação, Deus e o homem terão uma união completa. Essa é a misteriosa história de vida entre Deus e o homem.

Apesar de toda a Bíblia contar essa misteriosa história de Deus e o homem, dois livros estão relacionados com essa história de uma maneira particular. Esses livros são Ezequiel e Apocalipse.

Ambos os livros falam de Deus ser vida para o homem, do Espírito da vida, do fluir da água da vida, e do povo de Deus, que têm Sua gloriosa semelhança, tornando-se Sua habitação. Ambos os livros acabam com uma visão de Jerusalém, e os dois livros mostram-nos que o povo de Deus é edificado juntos para se tornarem não só a habitação de Deus para o Seu descanso, mas também Seu complemento corporativo para a Sua satisfação.

Os livros de Ezequiel e Apocalipse seguem juntos paralelamente. Se quisermos compreender Ezequiel, precisamos de Apocalipse, e se quisermos ver alguma coisa no livro do Apocalipse, precisamos entender as revelações em Ezequiel. Portanto, seria útil tomar esses livros conjuntamente. Se lermos Ezequiel e Apocalipse juntos, veremos que, em muitos aspectos, eles são bastante semelhantes. Os pontos principais nesses dois livros são quase os mesmos.


As Visões Relacionadas com a Vida

A primeira similaridade é que ambos os livros começam com visões. Ambos Ezequiel e João viram visões, e as visões vistas por eles estão relacionadas, principalmente, à vida. A Bíblia nos fala sobre a vida. 

Nos livros de Ezequiel e Apocalipse, temos não só o termo vida, mas também visões retratando o que é a vida e como a vida opera dentro de nós e entre nós. Em ambos os livros, temos não apenas uma descrição da vida, mas também visões mostrando-nos a questão da vida.

O Fluir da Água Viva

Em toda a Bíblia, os livros que falam mais claramente a respeito de Deus fluindo como vida são Ezequiel e Apocalipse. Ezequiel e Apocalipse, ambos nos mostram o fluir da água viva. Ezequiel 47:1 fala do rio que flui da casa de Deus.

O versículo 9 diz: “Toda criatura vivente que vive em enxames viverá por onde quer que passe este rio”, e o versículo 12 diz: “Junto ao rio, às ribanceiras, de um e de outro lado, nascerá toda sorte de árvore que dá fruto para se comer; não fenecerá a sua folha, nem faltará o seu fruto; nos seus meses, produzirá novos frutos, porque as suas águas saem do santuário; o seu fruto servirá de alimento, e a sua folha, de remédio”.

Em Apocalipse 22:1 e 2, vemos o rio da água da vida procedente do trono de Deus e do Cordeiro. “E mostrou-me o rio da água da vida, brilhante como cristal, que sai do trono de Deus e do Cordeiro no meio da sua rua. E deste e daquele lado do rio estava a árvore da vida, que produz doze frutos, dando o seu fruto a cada mês; e as folhas da árvore são para a cura das nações”. Em ambos Ezequiel e Apocalipse, portanto, temos um rio que  flui de Deus com o suprimento de vida.


As Visões de Jerusalém

A principal coisa que Ezequiel e Apocalipse têm em comum é que ambos os livros nos dão uma visão de Jerusalém. Ezequiel termina com a visão de Jerusalém, como também Apocalipse.

Esses dois livros, que terminam com uma visão de Jerusalém, dizem-nos que a intenção de Deus é entrar em nós como vida para que tenhamos Sua natureza e imagem de modo que, em Sua natureza com a Sua imagem, nós que O temos como nossa vida possamos ser edificados juntos, como a cidade santa para ser a habitação de Deus por toda a eternidade.

Essa é a mensagem central tanto em Ezequiel como em Apocalipse. Portanto, a mensagem do livro de Ezequiel é a mesma que a do livro de Apocalipse.


Ambos Ezequiel e João Permanecem
na Posição de Sacerdote

Não apenas os livros de Ezequiel e Apocalipse são semelhantes em conteúdo, mas os autores desses livros são semelhantes em alguns aspectos. A semelhança mais importante é que o profeta Ezequiel e o apóstolo João eram ambos sacerdotes diante de Deus.

Embora Ezequiel fosse um profeta, quando viu as visões registradas em seu livro, ele estava na posição de sacerdote, tendo o status de sacerdote (Ez 1:3) e também o viver de sacerdote.

Quando estava junto ao rio Quebar, com certeza ele estava levando a cabo o seu sacerdócio no espírito, servindo a Deus e tendo comunhão com Deus, de modo que os céus se abriram e ele viu a gloriosa visão de Deus ser vida ao homem para que Ele e o homem pudessem ser edificados juntos.

Em Apocalipse 5:10, o apóstolo João fala do povo redimido de Deus sendo sacerdotes para Deus. Isso indica que o próprio João deveria estar servindo como sacerdote. Quando João escreveu o livro de Apocalipse, o seu coração, posição, condição e situação era de sacerdote.


UMA MINIATURA DE TODA A BÍBLIA

O livro de Ezequiel ocupa uma posição muito importante entre os livros da Bíblia. Se soubermos o que a Bíblia revela, podemos ver que Ezequiel é uma miniatura de toda a Bíblia. O que é revelado em Ezequiel é uma forma condensada de toda a revelação na Bíblia. Nesse sentido, Ezequiel é uma miniatura das Escrituras como um todo.


O Propósito Eterno de Deus

A Bíblia nos mostra claramente que o propósito eterno de Deus é dispensar-Se num grupo de seres humanos. Sua intenção é dispensar-Se a nós para que possamos tê-Lo como nossa vida, para que possamos ter a Sua natureza, e que possamos sustentar a Sua gloriosa imagem.

Isso significa que o propósito de Deus, Sua intenção, é que nós e Ele tenhamos a mesma vida, natureza e imagem e que, por fim, nós e Ele, Ele e nós, sejamos mesclados juntos como uma entidade com duas naturezas, a natureza divina e a natureza humana, a fim de sermos edificados juntos, como a morada eterna de Deus.

Esse é o propósito eterno de Deus, que é claramente revelado nas Escrituras. O livro de Ezequiel nos mostra a mesma imagem de uma forma condensada, revelando que a intenção de Deus é trabalhar-Se em nós como nossa vida e mesclar-Se conosco para que possamos ser edificados juntos Nele como vida para ser Sua morada eterna. Isto é o que a Bíblia revela, e é isso que, em miniatura, Ezequiel também revela.


Vida, Natureza, Imagem e Edifício

Nos três primeiros capítulos de Gênesis, vemos que Deus criou o homem e colocou-o diante da árvore da vida. A árvore da vida tipifica o próprio Deus como vida para nós na forma de alimento.

Devido à queda do homem, a árvore da vida foi cercada e escondida por querubins, e o “refulgir de uma espada que se revolvia” guardava “o caminho da árvore da vida” (Gn 3:24). De Gênesis 3 em diante vemos tanto o julgamento, o cuidado, a misericórdia e a salvação de Deus. 

Por um lado, a espada flamejante de Deus executa o Seu julgamento, queimando tudo o que é contrário a Si mesmo. Por outro, através de Sua graça, Deus redimiu um povo para Si. Através da redenção de Cristo, o caminho da árvore da vida foi aberto novamente para o homem.

Agora o homem, sob e através da redenção de Cristo, tem livre acesso à árvore da vida e pode tomar a árvore da vida, como seu alimento. É por isso que em João 6, o Senhor Jesus nos disse que Ele veio como o pão da vida e que devemos tomá-Lo como nosso alimento.

Ele disse: “Quem de Mim se alimenta, por Mim viverá” (v. 57b). Se O tomarmos como nosso alimento, teremos a Sua vida e natureza, e, por fim, teremos Sua imagem. Por termos a Sua vida, natureza e imagem, seremos edificados juntos. Ele orou por essa edificação em João 17:21, quando orou: “A fim de que todos sejam um; como Tu, Pai, estás em Mim, e Eu em Ti, que também estejam eles em Nós”. Ser um dessa maneira significa que precisamos ser edificados juntos. 

Se formos do Evangelho de João até o Apocalipse de João, podemos ver que em Apocalipse 21 e 22, todos os redimidos foram edificados juntos numa cidade. Nessa cidade somos todos um, e não apenas um de maneira doutrinária, nem mesmo apenas um na visão, mas um em edificação.

Disso vemos que precisamos ser edificados uns com os outros em vida. Então, Deus terá uma cidade, a Nova Jerusalém. Essa é a imagem retratada nas Escrituras.

Quando chegamos ao livro de Ezequiel, vemos a mesma imagem. No primeiro capítulo estão os querubins de fogo flamejante com Deus no meio deles. Outros capítulos nos mostram como Deus vem para ser a nossa vida (caps. 11, 33, 34, 36, 37, 47).

Finalmente, o capítulo quarenta e oito revela que nós, que temos a vida de Deus, seremos edificados juntos na cidade santa, Jerusalém. Mais uma vez, vemos que o livro de Ezequiel é uma miniatura da Bíblia.

Precisamos ser profundamente impressionados com o fato de que a Bíblia como um todo, e o livro de Ezequiel como uma miniatura da Bíblia, revelam que a intenção de Deus é dispensar-Se a nós como a nossa vida a fim de que possamos ter Sua natureza divina e sustentemos Sua gloriosa imagem.

Em seguida, pela natureza divina com a imagem divina seremos edificados juntos, como uma morada eterna ─ a Nova Jerusalém. Esse é o ponto central da revelação da Bíblia e também do livro de Ezequiel.


AS QUATRO SEÇÕES DE EZEQUIEL

Ezequiel é um livro de visões. A primeira seção desse livro (cap. 1) apresenta uma visão da aparência da glória do Senhor, revelando como Deus se manifesta, como Deus se move e como Deus administra Seu governo por meio dos quatro seres viventes. Através da coordenação dos seres viventes, Deus é capaz de Se mover e administrar.

Na segunda seção (caps. 2-32) Deus vem como o fogo que consome para julgar o Seu povo e as nações gentias. Após o julgamento, Deus vem para restaurar o Seu povo pela vida. A terceira seção (caps. 33-39) é a seção da restauração. A quarta seção (caps. 40-48), diz respeito à edificação santa de Deus, procedente da restauração pela vida e consuma o livro. Portanto, Ezequiel começa com a aparência da glória do Senhor e termina com a edificação santa de Deus. Isso indica que o objetivo de Deus é o edifício.

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Estudo-Vida de Ezequiel, semana 9, sábado, mensagem 20

ESTUDO-VIDA DE EZEQUIEL Mensagem 20 OS ÁTRIOS EXTERIOR E INTERIOR SEMANA 9 - SÁBADO Leitura Bíblica:  Ez 40-42 Ler e orar:  “ Respondeu-lhes...