Leitura Bíblica: Jo 13:34; 15:12, 17; At 18:3; 20:34; 2 Tm 1:15; 4:16-17
Não existe status no serviço do Senhor. Não devemos esperar que os outros nos exaltem. Um irmão certa vez disse que, se os que servem ao Senhor fossem respeitados, muitos se levantariam a fim de servi-Lo. Isso é errado. Ao contrário, quando os servos do Senhor são desprezados, uma multidão se ergue para servi-Lo.
No serviço que prestamos não existe essa coisa de posição ou status nem devemos cobiçar isso. Não devemos esperar obter alta consideração ou mesmo ser apreciados. Devemos, sim, estar preparados para ser maltratados, sem qualquer demonstração de apreço por nossos esforços. Nosso galardão não advém de homens.
Essa, no entanto, não é nossa real situação. Antigamente deixamos muito claro que nosso caminho era oposto ao do mundo. Deixamos claro que esse não era o caminho para quem almejava glória. Não devemos dizer que os que servem ao Senhor devem ser respeitados a fim de atrair outros para o serviço do Senhor. Um ambiente desses comprova que estamos em estado de degradação. Mesmo que fôssemos respeitados, outros se levantariam continuamente para servir o Senhor; eles não podem ser impedidos.
Precisamos conscientizar-nos de que tudo pertence a Deus e Ele assume toda a responsabilidade. Ele nos conduziu a esse caminho. Isso é obra Dele. Não podemos estimular outros a isso nem controlá-los. É vergonhoso utilizar recursos financeiros com o fim de manter outros sob controle ou até controlar servos do Senhor.
O Senhor quer que toda obra dependa Dele. A forma como somos tratados pelos outros é secundário e não deve incomodarmos. Os que servem o Senhor precisam estar preparados para depositar tudo em Suas mãos e viver somente para Ele. Deus é totalmente responsável por nossas necessidades. Vivemos pela fé, mesmo quando precisamos fazer tendas como Paulo (At 18:3; 20:34).
Precisamos ser humildes e puros enquanto servimos. Ser humilde é colocar-nos de lado e submeter-nos ao arranjo de Deus. Ser puro é reconhecer que tudo vem de Deus e não temos outras motivações nem expectativas. Tomamos esse caminho quer as pessoas nos elogiem ou se oponham a nós. Quando somos apreciados, trilhamos esse caminho; quando não somos, ainda assim o trilhamos. Seguimos por ele caso concordem ou não. Segui-Lo é algo totalmente entre nós e Deus; nada tem a ver com qualquer outra pessoa ou coisa. Quem serve o Senhor deve ser assim.
Chegando ao fim de seu ministério, Paulo disse: "Todos os da Ásia me abandonaram", e também: "Na minha primeira defesa, ninguém foi a meu favor; antes, todos me abandonaram" (2 Tm 1:15; 4:16). Parece que ele queria dizer que muitos receberam seu ministério, porém nenhum permaneceu com ele em sua primeira defesa. Não obstante, o Senhor permaneceu com ele e o capacitou de tal forma que por meio dele "a pregação fosse plenamente cumprida" (v. 17). No desempenho de nosso serviço não devemos desejar obter a comiseração dos outros. Nosso caminho depende do Senhor.
Todos os que servem ao Senhor necessitam ser humildes em relação a si e puros em relação aos outros. Não devem almejar a aprovação dos irmãos nem esperar posição elevada, ótimo tratamento, elogios ou reações positivas. Precisamos ser puros no alvo de buscar somente a Deus. Também precisamos ser humildes e nos submeter aos outros e às nossas circunstâncias.
Servimos ao Senhor e os que O amam. Se Ele pôde até mesmo lavar os pés dos discípulos, a quem não podemos servir? Se o Senhor pôde ir ao Hades, onde é que não podemos servir? Seja numa cidade grande ou pequena, seja como presbíteros que administram a igreja ou apenas limpando os banheiros, precisamos empenhar-nos no serviço.
Somente dessa maneira podemos realizar a obra de edificação. Esse tipo de serviço produzirá um resultado orgânico de edificação. De outro modo, nosso serviço irá gerar apenas "gigantes". Por favor, não se esqueçam de que só colhemos o que plantarmos.
Satanás realiza uma obra sutil para nos tornar individualistas e para vivermos em desacordo, apesar de não discutir entre nós. Desse modo, trabalhamos com uma das mãos e demolimos com a outra. Numa situação dessas é difícil ter a bênção; é difícil nossa obra produzir algum resultado orgânico.
A bênção de Deus está em agirmos de comum acordo e na unidade. A genuína unidade vem com a edificação. Se estamos edificados, podemos estar com os irmãos de qualquer cidade em qualquer circunstância. Seja como presbítero ou varrendo o chão, servimos com ações de graça e louvor. Somos flexíveis em nossa coordenação com os outros.
Se aprendermos essa lição diante de Deus, nosso serviço como presbíteros resultará na edificação da igreja e nossa limpeza do salão de reuniões também resultará na edificação da igreja. Assim, não importa que livro da Bíblia os presbíteros querem que estudemos, seja o Evangelho de João ou as Epístolas aos Tessalonicenses, não teremos preferências pessoais. Desde que sejamos edificados, não importa onde somos colocados ou o que nos pedem que façamos, estamos na edificação. Tudo depende de ser ou não edificados pelo Senhor, e não se somos ou não solicitados a ministrar a palavra.
Os que servem em tempo integral não adquirem seu sustento pregando; antes, são os que sacrificam seu futuro a fim de servir o Senhor. Que sejamos os que estão no coração do Senhor e aprendem a receber Seu quebrantamento. Que possamos dizer como a irmã M. E. Barber: "Senhor, não tenho outro desejo além de Ti".
O AMOR FRATERNO GENUÍNO É A EDIFICAÇÃO
Outra razão para a falta de edificação entre os que servem é a falta de amor uns pelos outros. Essa falta de amor mútuo me faz sofrer. Não existe amor genuíno entre nós e na verdade não nos importamos muito uns com os outros. Parece que estamos satisfeitos com o mero fato de nos entender uns com os outros. É como se fôssemos meros colegas. Sem o amor fraternal, entretanto, perderemos o nosso testemunho e a bênção do Senhor.
Deve existir amor extraordinário entre os que servem. Esse é um ponto crucial abordado em João 13-17. A palavra do Senhor para nós e Sua oração foi que nos amemos uns aos outros (13:34; 15:12, 17). Tal amor uns pelos outros advém de nossa unidade com o Senhor, e não é algo comum. Significa amar uns aos outros na vida divina e no amor do Senhor (17:26). Somente esse amor pode edificar-nos juntos.
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