domingo, 13 de abril de 2025

A administração da igreja e o ministério da palavra, semana 5, capítulo 6, domingo

A ADMINISTRAÇÃO DA IGREJA
E O MINISTÉRIO DA PALAVRA

CAPÍTULO SEIS:
EDIFICAR EM AMOR E
CONHECER AS PESSOAS

SEMANA 5 - DOMINGO
Leitura Bíblica: Jo 4:7-21

Ler e orar: "Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor" (1 João 4:8)


APRENDER A SE IMPORTAR COM OS OUTROS

Embora nossa situação seja melhor do que a dos que estão no mundo, falta um sentimento de amor e de preocupação entre os que servem. Pode haver alguém que goste de determinado irmão e consiga manter boa coordenação com ele, todavia isso não é amor. O Senhor deseja que amemos uns aos outros assim como Ele nos ama. Seu amor por nós não se baseia em emoções. Ele não nos ama porque somos dignos de amor. Não somos amáveis nem tratamos o Senhor de modo que nos faça merecer Seu amor.

Se fizéssemos por merecer Seu amor e O tratássemos bem, poderíamos ser merecedores de amor, entretanto tal amor poderia ser baseado em emoções. Contudo não existe nada em nós que mereça ser amado; por esse motivo o amor do Senhor para conosco não se baseia em nenhuma emoção. Ele nos ama porque necessitamos de Seu amor.

Deve existir esse tipo de amor entre os que servem e entre os santos. Não devemos amar os irmãos porque são amáveis. Não devemos amar um irmão porque ele nos trata bem. Devemos amar os santos porque são nossos irmãos e porque fomos trabalhados pelo Senhor; porque fomos edificados juntos por Deus.

Não precisamos exortar os santos para que se amem uns aos outros. Porém, quanto mais edificação houver entre nós, mais a característica do amor e da preocupação mútua será expressa. Então nossa administração da igreja e nosso ministério da palavra produzirão resultados. Os irmãos também passarão a amar-se mutuamente. 

Se os irmãos conseguem amar os outros depende da administração da igreja e da pessoa dos que ministram a palavra. Pregar uma mensagem sobre amar uns aos outros pode não ser algo eficaz, mas nossa administração da igreja pode levar os irmãos a amar uns aos outros. Às vezes quanto mais falamos de amar uns aos outros, menos os santos se amam.

Em algumas igrejas os que ministram a palavra nunca falam do amor mútuo, mas os santos amam uns aos outros. Os presbíteros podem não conduzir os irmãos a amar, porém sob sua administração os irmãos amam uns aos outros de forma espontânea. Isso ocorre quando os que administram a igreja já foram edificados pelo Senhor. Há algo neles que demonstra que se importam com os outros, amam os outros e cuidam deles.

Deixe-me dar uma ilustração. Um irmão da casa dos obreiros estava doente há dois dias, no entanto nenhum dos irmãos foi visitá-lo. Os quatro irmãos que normalmente tomavam o café da manhã com ele pareciam não perceber que ele estava faltando. Podem ter pensado: "Não sou eu quem está faltando. Vou tomar o meu café da manhã e então cuidar dos meus assuntos". Pode alguém assim servir o Senhor?

Quem já foi edificado pelo Senhor precisa aprender a se importar com os outros. Se há o amor genuíno, os quatro irmãos logo irão procurar saber da condição do irmão que falta. Isso é a coisa adequada a se fazer. Se descobrimos que as meias¹ de nosso irmão estão rasgadas, devemos procurar saber se ele possui outro par. Caso não tenha, devemos conseguir outro par para ele, sem que saiba quem foi que fez isso. É isso que significa amar uns aos outros. 

Nós nos degradamos se nos falta esse tipo de amor uns para com os outros. É inútil apenas pregar mensagens apelativas. Se observamos que um irmão sempre usa a mesma camisa, precisamos descobrir se possui outras. É preciso importar-se desse modo com as pessoas.

Se não nos importamos dessa maneira, será difícil servir ao Senhor. Podemos ser capazes de administrar a igreja de forma ordeira, mas não haverá edificação em nossa administração. Podemos também pregar mensagens, mas os santos não serão edificados. O conhecimento nos ensoberbece, mas o amor nos edifica (l Co 8:1). Isso não significa, porém, que devemos pregar mensagens sobre amar uns aos outros; antes, que precisamos ser trabalhados e edificados pelo Senhor. Só assim nos importaremos com os outros e iremos amá-los.

Quando compramos um par de sapatos, devemos considerar se o irmão que serve conosco possui outro par. Precisamos ter essa consideração também ao comprar roupa nova. Lamentavelmente, essa não é a situação entre nós. Não devemos cuidar apenas de nossa vida; antes, devemos cuidar também do irmão que se encontra a nosso lado. Isso é muito sério.

Certa vez alguém me acusou de utilizar o dinheiro para controlar outros. Isso é um insulto para mim e para os outros irmãos. O Senhor sabe que não tenho a menor intenção de manipular os irmãos. Meu desejo é que as necessidades deles sejam preenchidas. Nenhum dos que estão a serviço deveria passar necessidade.

Simplesmente dar coisas aos outros não é um indicativo de amor. Pode ser apenas questão de emoção. Devemos ter um amor que se importa com os outros e cuida deles. Se um irmão está doente ou uma irmã tem problema, devemos sentir como se fôssemos os envolvidos. Precisamos pensar sempre nas necessidades dos outros. Quando compramos um par de sapatos, devemos pensar nos sapatos de nosso irmão; quando mandamos fazer alguma peça de roupa, devemos pensar nas de nosso irmão. Precisamos ter esse tipo de consideração. 

Não devemos pensar que perdemos ao cuidar dos que servem conosco. Mesmo se tivermos alguma perda, será glorioso. Quem cuida apenas de si é muito pobre; e a pessoa mais pobre que existe é quem cuida de si mesmo acima de tudo. Contudo quem aprende a cuidar dos outros é rico. Se cuidarmos dos outros e levarmos seus fardos, seremos ricos. Não devemos carregar apenas nosso fardo; precisamos aprender a levar também os dos outros.

Pela misericórdia do Senhor, devíamos ser capazes de testificar que quanto mais levamos os fardos dos outros, mais o Senhor carrega os nossos e nos fortalece. Não devemos ser como quem serve ao Senhor sem se importar com os conservos. Se cuidarmos dos que servem conosco, nosso ministério da palavra e administração da igreja serão capazes de edificar os santos juntos. Caso um presbítero deseje que sua administração da igreja traga a edificação, precisa aprender a amar e a cuidar das pessoas.

Numa conferência, havia uma gripe se espalhando e muitos ficaram doentes. Um dos irmãos encarregado da limpeza estava gripado. Não o vi durante vários dias. Quando descobri que estava doente, fui visitá-lo. Quando o vi, soube que ninguém cuidara dele, nem mesmo os que compartilhavam o mesmo quarto com ele. Ele estava de cama com febre e não tinha nem mesmo um copo de água. 

Fiquei muito triste ao ver aquela situação. Se somos todos desse jeito, não adianta falar ou ouvir nenhuma outra mensagem, porque elas serão inúteis. Aquele irmão estava prostrado na cama com febre, porém todos lhe foram indiferentes. Se uma pessoa que é indiferente torna-se presbítero ou ministro da palavra, poderá instruir os santos, mas não edificá-los.

A instrução é para o benefício de um indivíduo; a edificação leva os santos a ser edificados como um só. Deus não quer ganhar indivíduos; ao contrário, quer ganhar um edifício. Ele não pode usar a obra que só produz resultados individuais. Nossa obra precisa produzir resultado corporativo para que a vontade de Deus se cumpra.

Pode ser que certo irmão não seja capaz de pregar mensagens de forma dinâmica, porém quando administra a igreja, os santos se mesclam e são edificados. Isso é a igreja. A igreja é uma entidade corporativa, edificada. A reunião de milhares de pessoas não é a igreja caso vivam de modo independente uns dos outros e não estejam edificados juntos. Deus não tem nenhum edifício entre eles.

Deus precisa do edifício, um edifício corporativo. Quando os irmãos servem e se reúnem em amor, sua pregação do evangelho será vitoriosa e muitas pessoas serão levadas à salvação. Em algumas reuniões, porém, falta poder aos irmãos quando pregam o evangelho. Não há a percepção de edificação entre eles; só há a sensação de desolação e dispersão. Uma igreja na qual os irmãos cuidam uns dos outros tem futuro.

Quando nosso cuidado mútuo advém da obra de edificação do Senhor em nós e não de exortação externa, temos o edifício. Se os que servem não se importam uns com os outros, não devemos esperar que nossa obra resulte em edificação.

Nosso amor uns pelos outros não é uma reação emocional nem deve ser consequência de nos tratar bem. Quando você não estiver doente e não tiver nenhum problema, posso ficar sem ir a seus aposentos por dois meses seguidos, porque você não tem nenhuma necessidade. Entretanto, quando você estiver enfermo e passando necessidade, com certeza estarei ao seu lado.

Se nos amamos de forma genuína, importamo-nos uns com os outros a despeito dos problemas. Existe amor mútuo genuíno quando nos importamos uns com os outros. Isso é resultado de ser trabalhados pelo Senhor. Quanto mais alguém é trabalhado pelo Senhor e edificado por Ele, mais se importa com outros, cuida deles e os ama. 

Coisas mortas e sem vida não requerem amor. Numa casa não existe a necessidade de a madeira amar os tijolos ou de os tijolos amarem as telhas, porque são materiais inertes. No entanto coisas vivas precisam amar umas às outras a fim de se manter unidas. Em algumas cidades, apesar de estar juntos, os irmãos estão em discórdia e lhes falta o amor mútuo. Não há edificação entre eles. Colegas de quarto que não discutem entre si podem ainda assim estar em discórdia porque não foram edificados juntos. Essa situação é muito triste.

É muito triste quando só notamos as meias novas de um irmão, mas não quando estão rasgadas. A  condição normal deveria ser de não reparar quando um irmão adquire meias novas, e sim suas meias rasgadas. Se é desse modo que agimos, poderemos realizar uma obra sólida. Precisamos amar os irmãos e cuidar deles, mas esse amor deve basear-se em suas necessidades, não em nossa emoção. Quando eles têm uma necessidade, nós temos uma necessidade. Devemos aprender a levar seus fardos (Gl 6:2). Então a administração da igreja e o ministério da palavra trarão muita edificação para a igreja. 

A edificação da igreja não é fácil. Levar pessoas a ser salvas e instruí-las é fácil, no entanto edificar a igreja não é assim tão fácil. Levar as pessoas à salvação e ao aperfeiçoamento pessoal não requer que aprendamos lições. Entretanto, para edificar a igreja, edificar um grupo de pessoas juntas, unidas como um só, temos de assimilar algumas lições. Para que a administração dos presbíteros e o ministério da palavra contribuam para a edificação da igreja, precisamos prestar atenção aos pontos apresentados acima. Sem aprender esses pontos, não podemos esperar que nossa administração da igreja e ministério da palavra edifiquem a igreja.

Alguns pensam que os presbíteros devem ser humildes e cuidadosos e os que ministram a palavra devem ser cuidadosos com as palavras. Isso pode estar correto, porém ser humilde, cuidadoso e prudente não é o mais importante. Essas qualidades não levarão os irmãos a nos ter em alta consideração, muito menos a ser edificados. Antes, sua edificação depende dos pontos práticos que estivemos considerando. Temos de aprender esses pontos e estar equipados com eles.

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¹ Entre os cristãos orientais, especialmente em contextos mais tradicionais ou em igrejas domésticas com influência ortodoxa ou das igrejas orientais antigas, é comum que os fiéis fiquem de meias ou até descalços durante os cultos, como sinal de reverência.

Desfrute mais: Hino C-63

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